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05/10/2003, 12:34

Evento discute distribuição de cinema digital

POR REDAÇÃO

Produção e distribuição de cinema digital foi o tema do painel ?Desenvolvimento de mercado: A tecnologia digital mudando o cenário brasileiro?, que aconteceu no último sábado, 4, durante o Festival do Rio, que acontece até o dia 8 de outubro. No painel, Luís Gonzaga de Luca, do grupo exibidor Severiano Ribeiro, afirmou que a tecnologia de distribuição e exibição já está pronta, mas ainda há um problema de ordem econômica. Segundo ele, implantar a tecnologia no mundo todo custaria cerca de US$ 25 bilhões e ainda não se sabe quem vai pagar a conta. Por um lado, os exibidores jogam a fatura para os distribuidores, que teriam grande economia em distribuir por meios digitais. Já os distribuidores querem os exibidores paguem pela transição, pois estes teriam maiores lucros com os novos usos das salas digitais, como exibição de esportes, educação à distância etc. O executivo do grupo Severiano Ribeiro diz ainda que as majors americanas estão se empenhando para atrasar a transição, exigindo projeções de, no mínimo, 2K de resolução. ?China e Índia não seguiram as orientações de Hollywood, e o Brasil deve fazer o mesmo?, disse. Para ele a digitalização é a única maneira de viabilizar o aumento de salas no País.
Leonardo Monteiro de Barros, sócio da Conspiração Filmes e coordenador do curso de produção audiovisual da Fundação Getúlio Vargas concordou, dizendo que o custo de lançamento de um filme representa entre 20 e 50% de uma produção. ?A cópia física é uma barreira ao crescimento do mercado?, concluiu.
Segundo Fábio Lima, COO da Rain Networks, a cópia em película custa US$ 1,5 mil, tanto nos EUA quanto no Brasil, mas o ingresso custa cerca de US$ 2 no Brasil e US$ 8 nos EUA. Para ele, para viabilizar o aumento do número de salas no País, seria necessário levar um público quatro vezes maior que o norte-americano.

Qualidade de imagem

Segundo o engenheiro da Rede Globo Celso Araújo, a película de 35 mm proporciona uma resolução de 4K, para imagens estáticas. Para imagens em movimento, esta resolução cairia para 2K, mas em condições ideais. Após todas a s cópias e correções feitas em laboratório, a resolução média cai para cerca de 800 linhas, muito menos que a resolução usada em cinema digital, com 1080 linhas.
Já o diretor de fotografia Walter Carvalho diz que, ?com olhos de fotógrafo? é possível diferenciar a imagem do 35mm e a imagem digital projetada com 24 fps com varredura progressiva. Mas os olhos leigos jamais identificariam a diferença. ?O cinema é feito para multidões?, lembrou o diretor de fotografia.

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