TV pública
06/06/2003, 12:33

Câmara debate crise na TV Cultura

POR RAQUEL RAMOS

A Comissão de Comunicação da Câmara se reuniu na última quinta, dia 5, para debater a crise econômica pela qual está passando a TV Cultura. A audiência pública foi requerida pelo deputado Jamil Murad (PCdoB/SP) e teve pouca participação de deputados da própria comissão, mas participaram da sessão o deputado e ex-governador de São Paulo Luiz Antonio Fleury Filho (PTB/SP) e o deputado Orlando Fantazzini (PT/SP), membro da Comissão de Direitos Humanos.
Jorge da Cunha Lima, diretor presidente da TV Cultura, procurou mostrar o esforço que a Fundação Padre Anchieta vem fazendo desde 1995 para aumentar a arrecadação própria, ao passo que as dotações orçamentárias do Estado se mantiveram estáveis no período. Além disso, o orçamento de 2003 previa um repasse de R$ 89,9 milhões à emissora, mas recebeu cortes do governo, ficando em R$ 70,3 milhões. Segundo Cunha Lima, a TV Cultura está trabalhando no limite de sua eficiência. O diretor da emissora contou ainda que se encontrou esta semana com o governador Geraldo Alkimin, que prometeu empenho em resolver o problema, mas lembrou que o repasse depende da arrecadação do Estado. Como receitas alternativas para financiar as emissoras públicas, Jorge da Cunha Lima sugeriu que o governo estude soluções como a adotada pela Inglaterra, que cobra uma taxa por aparelhos de TV em cada domicílio ou até mesmo uma taxação nas contas de luz.

Gestão

Frederico Ghedini (presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo) participou da audiência pública juntamente com Nilton de Martins (presidente do Sindicato dos Radialistas de São Paulo) e Maurício Monteiro (representante dos funcionários da TV Cultura no Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta). Para Ghedini e Martins, a situação de crise da TV Cultura deve ser observada também do ponto de vista da gestão da emissora. Segundo eles, há dentro da TV Cultura uma grande instatisfação por parte de seus funcionários e, inclusive, 550 empregados participam de um abaixo-assinado reivindicando mudanças na gestão. Outra reclamação dos sindicalistas é a falta de diálogo entre a diretoria e os representantes dos sindicatos. Maurício Monteiro reclamou da falta de discussão a respeito das 250 demissões feitas pela TV Cultura. Monteiro disse que pediu para que os critérios fossem melhor discutidos antes das demissões, o que não aconteceu.

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