Cinema
09/01/2004, 17:31

Silveira: cota de tela linear prejudica grandes e pequenos

POR REDAÇÃO

Na opinião do diretor da Ancine João Eustáquio da Silveira, o estabelecimento da cota de tela linear, e não "em curva", como vigorou no ano passado, é um retrocesso e deverá prejudicar tanto os pequenos exibidores, que contam com apenas uma tela cada, quanto os grandes exibidores, que têm um conjunto de mais de uma dezena de telas: "a cota linear só é conveniente para o exibidor médio, aqueles que têm entre cinco e nove telas cada", avalia Silveira. O diretor da Ancine também considera que o aumento do número de dias obrigatórios para a exibição de filmes brasileiros não é uma boa política, pelo risco de prejudicar os exibidores: "se nós queremos que os exibidores invistam no aumento do número de salas, não podemos criar dificuldades suplementares para seu negócio", afirma Silveira. Seu argumento é fundamentado no fato de que em 2003 a cota de tela era de 35 dias, correspondente a 12% do mercado, sendo totalmente superada. Os filmes brasileiros ocuparam 22% do mercado no ano passado, um ano considerado excelente por todos. Este bom desempenho não deve se repetir este ano, visto que, na melhor das hipóteses, serão lançados 43 novos longas durante o ano.

Como se chegou à cota

João Eustáquio da Silveira lembra que a lei determina que, para o estabelecimento da cota anual, a Ancine deve ouvir os três segmentos do mercado: produtores, distribuidores e exibidores. Todos foram ouvidos. Os produtores queriam 91 dias de exibição obrigatória, o que corresponderia a cerca de 25% do mercado, com o argumento de que seria necessário utilizar a cota como um teto para estimular a produção nacional. Os outros dois segmentos queriam que se mantivesse a cota de 2003, justificando com a necessidade de não engessar o mercado: "na verdade, os exibidores admitiriam até 49 dias sem muitos problemas", confidencia Silveira. A agência optou pelos 63 dias como uma solução intermediária e mais próxima do desempenho da produção brasileira em 2003. "De qualquer forma, estamos correndo o risco de alguns exibidores não conseguirem cumpri-la", alerta o diretor da Ancine, que ressalta ser esta uma opinião pessoal, e não oficial da agência.

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