TV digital
11/06/2002, 21:59

Contrapartidas serão conhecidas em breve, diz Schymura

POR RAQUEL RAMOS

O presidente da Anatel, Luiz Guilherme Schymura, disse que daqui a algumas semanas a agência receberá parte do trabalho da consultoria contratada para avaliar as contrapartidas possíveis para a escolha do padrão da TV digital no Brasil. Com isso, Schymura avalia que daqui a um ou dois meses o Governo estará estruturado para começar as negociações das contrapartidas, se o estudo da consultoria confirmar esta possibilidade. No entanto, ainda não há prazo para que os trabalhos acabem e alguma decisão possa ser anunciada. "É difícil dizer se a decisão sairá este ano. Estamos trabalhando no ritmo que achamos conveniente. Entendemos que as contrapartidas são muito importantes, mas toda negociação é delicada e não dá para estipular um prazo para que ela acabe", explicou o presidente da Anatel. Luiz Guilherme Schymura participou de uma audiência pública nesta terça, 11, na Comissão de Educação do Senado. Também participaram da audiência Marco Aurélio de Almeida Rodrigues (vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica – Abinee); Olímpio José Franco (presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão – SET); Antônio Telles (presidente da União Nacional de Emissoras e Redes de Televisão – UneTV).
Para o senador Roberto Saturnino (PT-RJ), a decisão sobre TV digital não deveria ser tomada pela Anatel. Segundo ele, esta talvez fosse uma função para o Minicom, mas o Congresso Nacional precisa ter voz na escolha do padrão, da política setorial e do modelo, disse.

Política

O presidente da UneTV, Antônio Telles, defendeu uma definição urgente de políticas para o setor. Contudo, acha que o governo não precisa ter pressa para definir o padrão a ser adotado no Brasil. Como justificativa, Telles lembrou que nos Estados Unidos e na Europa a implantação de um modelo de TV digital fracassou. Telles lembrou ainda que a China chegou a desenvolver um padrão próprio porque julga que nenhum dos padrões atualmente no mercado atendem às suas necessidades de alta definição, mobilidade, portabilidade, acesso a Internet e aplicações multimídia.

Tecnologia

Olímpio José Franco, presidente da SET, fez sua apresentação ressaltando as vantegens do ponto de vista técnico do padrão japonês sobre os outros dois (americano e europeu). Roberto Franco, vice-presidente da SET e da rede Record lembrou aos senadores ainda que o Brasil é um país em que a TV aberta chega diretamente aos lares, ao contrário dos Estados Unidos, onde a maioria das pessoas recebe a TV aberta por meio de TV a cabo. Por causa disso, o Brasil precisa adotar um padrão robusto, que consiga levar o sinal com qualidade, lembrou o executivo da Record.

Economia

Para o vice-presidente da Abinee, Marco Aurélio de Almeida Rodrigues, o governo não deve se preocupar tanto com as questões tecnológicas e, sim, priorizar as contrapartidas econômicas que o Brasil possa conseguir. "As diferenças técnicas entre os padrões tendem a desaparecer com a evolução das tecnologias. Por isso, o Brasil deve priorizar os ganhos ao país, uma vez que a introdução da nova tecnologia pode ser uma ameaça à nossa indústria", explicou Rodrigues.

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