Evento
12/11/2003, 18:23

Entretenimento e informação são temas do Brasil Documenta

POR REDAÇÃO

No painel "Documentário: Entretenimento e Informação", que aconteceu nesta quarta, 12, como parte do III Brasil Documenta (seminário promovido pelo canal GNT), o tema debatido foi como entreter e ao mesmo tempo informar e se o entretenimento é a chave para ganhar o público, além das diferenças entre os documentários cinematográficos e as produções para TV. Para o documentarista Eduardo Coutinho, a TV é a forma dominante de comunicação, e o cinema existente fora dos Estados Unidos só é feito graças à parceria com a televisão, "o que não acontece no Brasil e provavelmente nunca aconteça". Coutinho diz que a TV aberta brasileira não tem documentários: "às vezes exibem uns 'híbridos' de boa qualidade, mas não são documentários. O documentário tem que ser autoral, o que as grades de programação das TVs não comportam", diz o cineasta. Além disso, Coutinho diz que quem exige entretenimento e a rentabilidade dos documentários é a TV. "O público não está nem aí para os documentários, o público nem vai ao cinema para assisti-los", brinca. Coutinho diz ainda que "o documentário é marginal, e tem que ser assim. Não queremos ser hegemônicos, queremos apenas uma margem um pouco maior".
Outro ponto tocado pelo cineasta, foi a captação de recursos. Para o diretor de "Cabra Marcado para Morrer" e "Edifício Master", a única maneira de vender um projeto de documentário é mentir. "Para captar é preciso mostrar o roteiro. Se eu tiver em mãos um roteiro de documentário, não quero mais fazê-lo. Meus roteiros têm apenas três linhas, cinco se eu adjetivar", explica o cineasta.
Para o inglês Stephen Lambert, produtor-executivo da RDF Media e da série "Faking It!" (apresentada no Brasil pelo GNT como "Tudo é Possível!"), diz que os documentários têm a obrigação de prender a atenção da audiência e "não precisam ser chatos a ponto de ninguém querer assistir".
Já o cineasta Paulo Sacramento, diretor de "O Prisioneiro da Grade de Ferro", diz que entretenimento é uma palavra que acompanha um preconceito, mas tudo depende do nível cultural de quem vai assistir aos documentários.
Já o cineasta Luiz Villaça diz que os documentários só não têm público porque são mal divulgados, como "Tiros em Columbine", por exemplo.
O evento acontece de 10 a 14 de novembro na PUC e no Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro. Além dos debates, o Brasil Documenta conta ainda com Master Classes e exibições de documentários.

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