Produção
27/05/2017, 01:14

Websérie "O Filho dos Outros" deve virar longa-metragem

Com o objetivo de ajudar a qualificar o debate público acerca da redução da maioridade penal, o Coletivo Rebento, formado por jornalistas, documentaristas e artistas, produziu a websérie "O Filho dos Outros". Composta por quatro capítulos, com duração que varia de 13 a 18 minutos, a série está disponível no YouTube e na página do Facebook.

A série começou a ser produzida em 2015 quando a Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda Constitucional 171/93 que reduz, em alguns casos, a maioridade penal de 18 para 16 anos. A PEC está em tramitação no Congresso Nacional mas, caso seja aprovada, a proposta é que os jovens de 16 e 17 anos que cometeram crimes de estupro, latrocínio, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte cumpram a pena em um estabelecimento intermediário, separados dos outros menores e dos adultos.

Grande parte da websérie documental foi produzida com recursos obtidos por meio de campanha de financiamento coletivo do Catarse. "Nós arrecadamos R$ 59 mil no Catarse e conseguimos, de última hora, recursos de uma instituição suíça, a OAK, de US$ 10 mil. Deu pra fazer nesse valor usando nossos próprios equipamentos e sem nenhuma remuneração", conta Tom Hamburguer, um dos diretores do coletivo.

A websérie foi lançada em 2016 e, no mesmo ano, foi indicada à categoria de "Melhor Roteiro Documental" pelo Rio WebFest, principal festival destinado à produção audiovisual para internet.

A série tenta combinar diferentes vozes que estão debruçadas sobre o tema e suas várias vertentes. Para a gravação do primeiro episódio, dois diretores do Coletivo, Marina Zazá D'Aquino e Bruno Garibaldi, viajaram para o Ceará e mostraram a superlotação do sistema socioeducativo, conhecido por rebeliões, denúncias de torturas e maus tratos contra os adolescentes internos.

Os outros três episódios foram dirigidos por Garibaldi e Hamburguer. O tema do segundo episódio traz relatos das mães e depoimentos de ex-internos que passaram pela Febem, atualmente chamada de Fundação Casa, e os traumas psicológicos e sociais que carregam até hoje.

Os dois últimos episódios dão ênfase às questões da juventude. O terceiro episódio discute as motivações materiais que levam alguns jovens a entrarem em conflito com a lei, ao mesmo tempo que discute a formação e expansão do PCC dentro dos presídios paulistas. Já no último, a websérie investiga a relação entre os processos de transformação pelo qual todo adolescente passa e a vida on-line de Youtubers, movimentos como os Rolezinhos e o Funk Ostentação.

"A gente tentou imprimir uma estrutura parecida nos episódios e, como os episódios são curtos, a gente percebeu que podia apresentar um pensamento em cada episódio, através das histórias dos personagens que a gente tinha", conta Hamburguer. No primeiro, explica o diretor, a direção foi no modelo "câmera na mão e ideia na cabeça". Os outros foram mais planejados e com pesquisa prévia dos personagens.

 

"Tem um 'problema' de linguagem interessante: como é uma série, os episódios se ligam pelo tema da série e não funcionam tão bem sozinhos. Queremos, agora, montar um longa-metragem, num formato de documentário. Vamos inscrever em editais de finalização", conta Hamburguer.

Coletivo Rebento

O Coletivo Rebento nasceu em 2015 já pensado no desenvolvimento da websérie. Ele é formado por: Tom Hamburger, Marina Zazá D'Aquino, Ricardo Moura, Caio Zinet e Bruno Garibaldi.

Veja o trailer da série.

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