Cinema
27/08/2008, 17:21

Aumento de número de salas pode não alavancar crescimento de público

POR DANIELE FREDERICO

Embora o número de salas de cinema no Brasil seja considerado baixo (até o final de 2007 eram 2.098), não basta aumentar o total de salas para que a freqüência aumente. Essa foi uma das conclusões a que chegaram os debatedores de painel sobre exibição que aconteceu nesta quarta-feira, 27, na Feira Internacional da Indústria do Cinema e Audiovisual.
Segundo Marcelo Bertini, diretor da Abraplex e da Cinemark, do segundo semestre de 2008 até o final de 2011 serão lançados 76 novos shoppings no Brasil. Destes, 36 estarão localizados em capitais e 38 no interior, sendo a maioria (cerca de 60%) na região Sudeste.
Abrir cinemas em todos esses shoppings, porém, pode não ser um bom negócio. Bertini exemplifica com o caso do México, onde o número de salas aumentou 33% e o público apenas 15%. "Construir salas não significa necessariamente aumento de público", afirmou.
No Brasil, o caso em que o aumento de salas não significou crescimento de público foi em Manaus. Segundo Bertini, de outubro de 2006 a julho de 2008, mesmo com o lançamento de 30 salas nessa cidade, houve um decréscimo de público de 7,5%.
Para Paulo Celso Lui, da Lui Cinematográfica, exibidor do interior de São Paulo, a questão do número de salas também encontra um problema com os distribuidores. Ele diz que em Araraquara, em 2004, foram abertas dez salas de cinema, porém não haviam cópias em número suficiente para todos, e alguns acabavam tendo de exibir os blockbusters depois dos outros. "O distribuidor não dava cópias para os três grupos em operação", diz. Ele ressalta ainda que o público hoje tem mais opções de entretenimento, até mesmo nas pequenas cidades, como lan house, DVDs, bares, entre outros. "A questão não é só abrir uma sala, é descobrir o que fazer para tirar o espectador da casa dele para ir ao cinema".

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