Mídia
28/06/2004, 18:58

Acordo Net/Telmex traz impactos para BNDES e Globo

POR REDAÇÃO

A operadora de cabo Net Serviços e a Telmex anunciaram aos seus acionistas que fecharam um acordo que prevê a entrada do grupo mexicano na estrutura societária da operadora de cabo. Segundo fato relevante divulgado pela Telmex, a operação deverá representar um montante de US$ 250 milhões a US$ 370 milhões para a operadora mexicana, que permanecerá com um total de 30% a 60% das ações da Net Serviços ao final da operação. Mas, esclarece a Telmex, a sua entrada na operadora está condicionada a uma série de condições regulatórias e à aprovação, pelos credores da Net, dos termos da proposta de reestruturação da dívida.
Cada acionista decidirá por si, mas o mais provável é que nenhum dos atuais controladores da Net Serviços fará esforço para não ter sua participação acionária diluída depois do aumento de capital, que é parte do processo de reestruturação da dívida da companhia. Nem mesmo o BNDES deve acompanhar o aumento de capital integralmente, segundo comentários do mercado. Não há uma posição oficial sobre isso, mas a idéia é deixar a oportunidade para que os credores se tornem acionistas e também para a entrada da Telmex.
Nesse sentido, a Globopar, por exemplo, deve exercer o direito às ações ordinárias (e apenas das ordinárias) que serão emitidas, mas fará isso para contemplar a operação com o grupo mexicano. Isso não significa, contudo, que os demais sócios da Net Serviços não aproveitarão a oportunidade de adquirir pequenas participações, já que a fixação do preço referenciado a R$ 0,35 é muito atraente em relação ao valor atual das ações.

Estratégia da Globopar

A operação de venda de uma parte de sua participação na Net à Telmex trará importante alívio para o grupo da família Marinho, que também passa por um processo de renegociação de sua própria dívida. A entrada dos mexicanos resultará em uma injeção de capital na Globo superior certamente a US$ 130 milhões (que é o valor fechado para o cenário secundário de venda de ações para a Telmex), mas ainda é impossível dar um valor mais preciso. Com toda a operação, a Telmex pretende gastar US$ 370 milhões, mas apenas uma parte desse montante está dedicado às ações da família Marinho.
Segundo a Globopar, a decisão de anunciar a parceria com a Telmex juntamente com os termos da reestruturação se deveu ao fato de que um sócio estratégico, nesse momento, representa uma garantia adicional aos credores e dá mais estabilidade à operação. A negociação existe há algum tempo em maior ou menor nível, mas só foi concluída no final de semana. Os credores sabiam da disposição da Globopar de buscar um novo sócio estratégico, mas não sabiam as condições nem o nome.

E o pró-mídia?

Com a venda de um bom pedaço na Net Serviços e, eventualmente, até o controle da operadora para a Telmex, a Globopar dá um importante passo para renegociar sua dívida sem precisar passar pela ajuda oficial do governo, via BNDES. Outro passo deve ser a reestruturação da composição societária da Sky, onde também a Globo deixará definitivamente o controle e se focará no conteúdo, segundo informações não oficiais. Com isso, o programa do BNDES de socorro à mídia, que depende apenas de uma manifestação de apoio do Senado para ser implementado, não seria usado pela família Marinho na holding Globopar, evitando assim desgaste político para o grupo e para o banco.

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