TELA VIVA Móvel
28/09/2005, 19:05

Casamento de cinema e celular dá resultados

POR DANIELE FREDERICO

O conteúdo de cinema é uma fatia importante da receita de serviços de valor adicionado das operadoras. Essa foi uma das conclusões obtidas durante o debate ?Celular e cinema: oportunidades e receitas?, realizado em 28 de setembro, durante o 4° TELA VIVA Móvel.
Além da receita, André Andrade, da Claro, destacou que é importante pensar que esse conteúdo é capaz de gerar fidelização do cliente e principalmente diferenciar a operadora frente à concorrência.
Ao discutir as estratégias de marketing para serviços que envolvem conteúdos de cinema, Andrade lembrou ainda que os filmes nacionais apresentam uma vantagem em relação aos estrangeiros: eles permitem ações de relacionamento diferenciadas e mais atraentes. ?É possível, por exemplo, oferecer visitas aos sets de filmagem, realizar concursos para atuação como figurante no filme, levar os clientes para assistir a pré-estréia com os protagonistas, entre outras, o que seria praticamente inviável com filmes estrangeiros?.
Ele lembra, no entanto, que os filmes geradores de receita para a operadora ainda são os grandes blockbusters estrangeiros.
André Mafra, da Vivo, explicou que a operadora conseguiu viabilizar o primeiro projeto do filme "O Senhor dos Anéis ? O Retorno do Rei" com uma mudança no modelo de negócios, que só aconteceu após mais de um ano de tentativas frustradas em negociações com a indústria cinematográfica. A ruptura aconteceu quando as distribuidoras entenderam que as suas divisões de cinema e de licenciamento deveriam agir conjuntamente, ou seja, elas passaram a entender o celular não apenas como uma mídia para a qual elas podem vender os direitos de seu conteúdo, mas também como uma ferramenta de divulgação dos filmes. A Vivo também teve que compreender que as distribuidoras e estúdios têm culturas de negociação muito mais complexas do que a de outros produtores de conteúdos.

Sem garantia de sucesso

O projeto de lançamento de conteúdo do ?Guerra nas Estrelas: A Vingança dos Sith?, em 2005, foi acessado por cerca de um milhão de usuários, via celular e Internet. O executivo da Vivo lembra ainda que o sucesso de um filme na bilheteria não garante público para a tela do celular, pois este meio também depende de fatores como o histórico, a temática e o apelo do filme junto ao público do celular, sobretudo o jovem. "O 'Scooby Doo', por exemplo, apesar de ter perdido em números de bilheteria para o 'Van Helsing', ganhou deste na exibição de conteúdo pelo celular", diz Mafra.
Os representantes das duas operadoras tambem afirmaram que não dividem os custos de publicidade com as distribuidoras, nem pagam pela exclusividade. ?A partir do momento em que as operadoras começarem a negociar exclusividade, passaremos a ter um leilão pelo filme, o que deixará o investimento muito caro?, disse Andrade. ?Filmes como Harry Potter, cuja autora não permite a exclusividade do conteúdo para apenas uma operadora, deixam de ser interessantes, pois ninguém quer fazer aquilo que o concorrente já está fazendo?, completou Mafra.
Sobre a disponibilização de conteúdos específicos para celular, como curtas-metragens, Andrade ressaltou a importância dos cineastas entenderem primeiro como essa mídia funciona para então realizar filmes adequados ao formato. ?É preciso entender que é uma tela menor que as outras, e o filme deve ser adequado a ela, com cenas filmadas, por exemplo, em ângulos mais fechados?, concluiu Mafra.

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