Políticas públicas
28/11/2011, 15:11

Argentina incentivará produções para Internet e videogames

POR FERNANDO PAIVA

A partir do ano que vem, o governo argentino tem entre as suas prioridades para o setor audiovisual o apoio a produções voltadas para a Internet e jogos eletrônicos. Mecanismos de fomento, que hoje privilegiam o conteúdo para cinema e TV, deverão ser estendidos a essas outras mídias. "A Internet é mais um exibidor, como as salas de cinema. Vamos começar a fomentar a produção para a Internet em 2012", disse a presidenta do Instituto Nacional de Cinema e Artes Visuais da Argentina, Liliana Mazure. A executiva explicou a razão de se preocupar também com o setor de jogos eletrônicos: "A maior parte da produção é feita por jovens que prestam serviços para grandes empresas estrangeiras. Quase não há conteúdo nacional por enquanto". Liliana participou nesta segunda-feira, 28, do Seminário Internacional de Políticas Públicas de Financiamento do Audiovisual, no Rio de Janeiro.

Liliana relatou também a experiência de fomento à produção para televisão através de concursos. O mais recente recebeu 1.150 projetos, dos quais 60% vieram das províncias argentinas. Isso resultou na produção de 30 séries de TV com 13 capítulos cada, algumas coproduzidas com países latinoamericanos, como Chile, Uruguai e México. Algumas delas entraram no ar há dois meses em três canais de TV aberta. "São conteúdos que ninguém financiava. E o público está gostando", disse Liliana. Com o próximo concurso a expectativa é alcançar a marca de 3 mil projetos inscritos e premiar pelo menos 60 deles.

Cinema

Uma das discussões levantadas durante o seminário por um pesquisador presente na plateia foi que o governo argentino tem conseguido aumentar a produção de longas-metragens, mas não necessariamente o público de filmes nacionais, que permanece estagnado na faixa de 3,5 milhões ao ano. Liliana respondeu que as estatísticas não incluem os dados de público das 45 salas patrocinadas pelo instituto, que teriam um público de mais de um milhão ao ano. Em 2011, estrearam 101 filmes argentinos, dos quais 20 superaram a marca de 100 mil espectadores.

Questionada sobre a falta de filmes argentinos em cartaz no Brasil e vice-versa, a dirigente culpou os distribuidores internacionais e os próprios produtores locais. "O problema é que os produtores latinos vendem os direitos internacionais de seus filmes para empresas estrangeiras para todos os territórios. Mas os distribuidores internacionais não levam os filmes para outros países da América Latina. Nossos filmes passam na Austrália e na Europa, mas não nos nossos vizinhos", criticou. Uma possível solução seria o aumento de coproduções dentro da região, sugeriu.

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