Festival do Rio
29/09/2005, 17:45

Distribuidores culpam safra de filmes pela queda na bilheteria

POR REDAÇÃO

A queda na bilheteria das salas de cinema em 2005 é normal e fruto de uma "crise criativa", disse o distribuidor e exibidor André Sturm em debate que reuniu vários distribuidores no Festival do Rio nesta quinta, 29. Segundo Sturm, a única variável que houve de um ano para o outro foram os títulos lançados. "Todos os blockbusters de 2005 cumpriram com a expectativa", justificou, lembrando que a redução na bilheteria já era esperada. Marco Aurélio Marcondes, do consórcio Europa/MAM, concordou: "A queda na bilheteria é um fenômeno mundial. O principal fornecedor (Hollywood) está em crise".
Marcos Oliveira, da Fox, foi na mesma linha: "estamos em um período de ajuste do mercado". Segundo ele, o Brasil é um grande consumidor de audiovisual, mas ainda precisa saber desenvolver mais e melhor os filmes como produtos. "A força de um mercado está diretamente relacionada à qualidade das produções locais", explicou.

Outro lado

Enquanto os distribuidores procuraram amenizar a crise por que passa o cinema, que teve em 2005 uma redução na bilheteria que varia entre 20% e 25% em relação a 2004, os exibidores foram mais dramáticos, apontando vários problemas por que passa o setor. Entre eles, conforme numerou o presidente da Cinemark no Brasil, Valmir Fernandes, estão a pirataria, a redução da janela de exibição, a meia entrada para estudantes, o Ecad, entre outros. "Ou nós resolvemos os problemas do setor, ou outros resolverão e nós perderemos ainda mais mercado", disse.
Fernandes previu que o tempo de janela poderá cair "para três ou quatro semanas", por culpa também da pirataria, e relacionou o crescimento do parque exibidor ao fortalecimento da cinematografia nacional. "O sucesso dos filmes tem que ser medido por suas performances no mercado, não por prêmios em festivais", disse.

Potencial

Luiz Gonzaga de Luca, do Grupo Severiano Ribeiro, acredita que o número de salas ainda crescerá muito. Segundo ele, 66% dos "shoppings nobres" têm cinemas, mas apenas 18% têm multiplex. Gonzaga afirmou que devem surgir 42 novos multiplex nas capitais em dois ou três anos e que quase 70 shoppings deverão trocar os pequenos cinemas por multiplex.
Para ele o problema está na concorrência que o crescimento irá gerar, trazendo, na sua visão, um briga de preços. Além disso, "a distribuição não poderá atender a esse crescimento". A solução apontada por Gonzaga foi o incentivo ao aumento da freqüência do público nas salas.

Meia entrada

João José Passos Neto, do Grupo Passos, cobrou a extinção ou, pelo menos, a diminuição dos descontos concedidos aos estudantes. "Dois terços dos ingressos vendidos são de meia entrada", justificou. O presidente da Ancine, Gustavo Dahl, que estava presente na platéia, afirmou que o problema da meia entrada só poderia ser resolvido pelo legislativo, que não tem interesse em "um projeto impopular". Sugeriu ainda que a questão fosse levada ao Supremo Tribunal de Justiça. "Ou então, vamos fortalecer a Ancine para que possa regulamentar o setor", disse.

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