Cinema
31/08/2005, 18:11

BNDES anuncia investimentos em Funcines

POR FERNANDO LAUTERJUNG

O BNDES e o Ministério da Cultura apresentaram nesta quarta, 31, no Rio de Janeiro, a política de apoio do banco ao cinema. Os principais destaques ficaram por conta do aumento do aporte realizado ao cinema este ano e ao anúncio de que o BNDES investirá também em Funcines (fundos de apoio à atividade cinematográfica). O presidente do BNDES, Guido Mantega, lembrou que o banco é o segundo maior patrocinador do cinema do Brasil, atrás apenas da Petrobras. "Estamos tentando alcançar a Petrobras aumentando as nossas linhas de patrocínio para 2005, dedicando R$ 22 milhões para o cinema", disse. Segundo Mantega, nos últimos dez anos o BNDES financiou 246 filmes, cerca de 50 só em 2004. "Nem todos esses filmes chegam à distribuição, esse é o problema que foi constatado", disse. "Agora nós vamos apoiar os Funcines, que têm a incumbência de 'fazer a distribuição e a exibição'", afirmou. Vale lembrar que os Funcines podem investir em projetos de produção, distribuição e exibição cinematográfica. Segundo comunicado do BNDES, o banco investirá em fundos cuja política de investimento esteja voltada majoritariamente para a distribuição de filmes brasileiros de produção independente. A seleção dos projetos que receberão investimentos através dos Funcines será feita pelos próprios fundos. A participação do BNDES em cada Funcine não pode ultrapassar 70% do patrimônio do fundo.
O ministro da Cultura, Gilberto Gil, afirmou que "essa combinação de investimento na produção e na difusão, com impactos indiretos na infra-estrutura, faz com o patrocínio do BNDES se torne de fato um dínamo do desenvolvimento do conjunto da economia do cinema no Brasil".

Produção e finalização

Este ano, o BNDES ampliou ainda sua área de investimentos através do Artigo 1º da Lei do Audiovisual ao incluir também projetos de finalização. O teto máximo de investimento em um mesmo projeto de produção subiu de R$ 500 mil para R$ 1,5 milhão. Projetos de finalização poderão receber no máximo R$ 500 mil. Segundo o presidente da Ancine, Gustavo Dahl, também presente à cerimônia, existem hoje cerca de 50 filmes parados na etapa da finalização. Para ele, o investimento do BNDES em finalização é um "fomento regulador do mercado". Também houve mudanças na comissão julgadora dos projetos, agora formada por cinco pessoas do setor cinematográfico, dois representantes do BNDES e um do Ministério da Cultura.
As inscrições para participar do edital do BNDES já estão abertas e vão até o dia 30 de setembro. O formulário está disponível no site www.bndes.gov.br/cultura/cinema.

Exibição

O BNDES fará ainda investimentos na exibição cinematográfica, além da linha de crédito especial para os exibidores que já existe no banco. A linha de crédito conta, por enquanto, apenas com dois projetos em análise, segundo o BNDES.
Para este ano, o banco investirá criando a Sala BNDES de Cinema, que será construída no Galpão 3 da Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Além disso, o auditório da sede do banco, no Rio de Janeiro, será equipado para que possa ser usado também como sala de cinema. Essas duas salas poderão constituir um piloto para um projeto de salas populares de cinema que está em estudo pelo BNDES.
O ministro Gilberto Gil disse ainda que o MinC e o BNDES estão dialogando para construção de uma rede de salas de cinema, que "visa criar um circuito verdadeiramente popular no Brasil, com salas digitais instaladas em regiões de alta densidade populacional, onde a oferta de lazer é mínima".
O BNDES não adiantou como se dará a divisão dos investimentos de R$ 22 milhões entre os projetos de de produção, finalização, Funcines e na construção das duas novas salas.

Televisão

Guido Mantega disse ainda que o BNDES pretende criar linhas de financiamento para produtos culturais exportáveis. Entre estes, citou a produção de telenovelas e de animação. O presidente do BNDES lembrou que muitos animadores brasileiros acabam indo trabalhar no exterior, pela falta de campo no Brasil.

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