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Sky+DirecTV não será afetada pela entrada da Liberty
quinta-feira, 01 de fevereiro de 2007 , 20h01 | POR SAMUEL POSSEBON

A troca de ações entre a News Corp e a Liberty Media que fará com que a Liberty se torne a acionista controladora da DirecTV, inclusive no Brasil, não deve afetar imediatamente a operação brasileira. Primeiro, porque a transação ainda deve levar vários meses para ser concluída. Depois, porque a Liberty tem tido historicamente um papel muito mais de investidor nas empresas de mídia que controla do que um perfil operacional. Luiz Eduardo (Bap) Baptista, presidente da operação Sky+DirecTV no Brasil, esteve nos últimos dias envolvido no planejamento das ações da operadora em 2007 e, segundo ele, o assunto Liberty foi discutido. "Por enquanto, a sinalização é de que o comando da DirecTV Group quanto ao comando da DirecTV Latin America não será alterado, e por isso a linha de gestão atual deve ser mantida". Bap reconhece que a Liberty, do empresário John Malone, tem uma atuação muito dinâmica e agressiva, entrando e saindo de negócios com grande velocidade. "Hoje eles se comportam muito como um fundo de investimento". Bap não diz isso, mas é evidente que essa posição poderia significar maiores chances de que a DirecTV, no futuro, entre em acordos com outras empresas, como a Echostar nos EUA ou mesmo alguma empresa de telecomunicações. "O que é fato é que a Liberty é uma empresa que anda no ritmo do mundo. E hoje os maiores desafios a essas mudanças estão muito mais nas questões regulatórias e na tecnologia", diz o presidente da Sky+DirecTV no Brasil.

Concorrência

Sobre a agressividade da concorrência, intensificada nos últimos meses pela entrada da Telefônica no mercado de TV paga (por meio das parcerias e associações com a DTHi e com a TVA e um agressivo patamar de preços) e com a forte campanha da Net Serviços que envolve a venda de serviços de voz, TV paga e banda larga por R$ 69,90, Luiz Eduardo Baptista não mostra muita preocupação. "Financeiramente estamos melhor do que nunca, e estamos confortáveis na nossa posição, que é de especialistas em TV por assinatura. Hoje a Net e a TVA se posicionam como empresas de telecomunicações, como a Telefônica, que oferecem TV como parte do serviço. Mas televisão é algo muito mais complexo, muito mais sofisticado, e isso exige especialização", lembra. Ele também acredita que os pacotes que são oferecidos nas ofertas triple-play, "com alguns poucos canais", não fidelizam o usuário e trazem uma experiência ruim. "Televisão hoje é sinônimo de grande quantidade de programação, não oito ou nove canais pagos, que é o que se tem nesses pacotes promocionais". Para Bap, "banda larga é hoje algo que virou commodity", que pode ser facilmente adquirida por um baixo custo. "O assinante da Sky+DirecTV consegue ter o serviço com as teles sem a menor dificuldade".
Ele pretende trazer para o Brasil a mesma linha de atuação que tem marcado a DirecTV nos EUA. "Vamos inovar muito tecnologicamente, trazendo as caixas mais avançadas e o conteúdo em alta definição. Em dois anos, o nosso assinante no Brasil estará praticamente no mesmo estágio tecnológico do assinante dos EUA".
Em junho ou julho a operadora já deve trazer ao Brasil uma nova geração de DVRs. A idéia é massificar o uso da tecnologia, permitindo que as caixas digitais atuais sejam usadas em pontos extras.
Mas a Sky+DirecTV também deve desenvolver pacotes para um outro público, evitando que a concorrência se sobressaia com preços mais baixos. "Em breve teremos pacotes de R$ 80 e R$ 90, mas não menos do que isso". Ele explica que nos EUA, com esta postura, a DirecTV cresceu só no ano passado quase 1 milhão de clientes. "E dessas vendas, apenas 17% se interessaram em adquirir banda larga nos pacotes que são oferecidos com as teles por lá".

Migração

O processo de migração da base da DirecTV para a Sky, diz Bap, está acelerado e deve ser concluído antes do cronograma inicial, sendo concluída no meio do ano. A fase de integração das centrais de atendimento já está praticamente concluída, assim como está em andamento a mudança de satélite.

Briga com as teles

Bap diz que a questão da entrada das teles deve ser tratada pela ABTA, como está acontecendo. "Essa posição atual em relação às teles sempre foi a posição da associação. A ABTA sempre defendeu o que defende hoje. O que mudou foi a opinião de alguns associados"

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