Telas Fórum
01/12/2016, 01:47

Canais e talentos do Youtube conquistam espaço na TV e no cinema

Após ganhar corpo no Youtube, os canais digitais das multichannel networks começam a percorrer o mundo offline, criando conteúdo para outras plataformas e levando consigo uma garantia de audiência de nicho. No Telas Fórum, que aconteceu nestas terça e quarta-feira, em São Paulo, algumas dessas empresas mostraram que há um setor do audiovisual que vai muito bem e desconhece as dificuldades de financiamento e os entraves e incentivos regulatórios.

"Tivemos investimento inicial de três fundos brasileiros para construir marca e desenvolver audiência. A partir daí, temos que nos financiar com verba publicitária", conta André Barros, sócio fundador da NWB, que conta com canais na Youtube como Desimpedidos, Acelerados e Revisão. Cada canal, explica o executivo, é uma empresa separada e conta com um talento "offline" para endorsar a marca junto ao mercado publicitário e anunciante. O Desimpedidos, sobre futebol, tem o jogador Kaká como associado. Já os canais Acelerados, sobre automobilismo, e Revisão, educacional, têm como sócios Rubens Barichelo e Gilberto Gil, respectivamente.

Já a Blues começou, há dez anos, como um produtora de vídeo que atende o mercado corporativo. A iniciativa de criar os canais online partiu de um desejo dos sócios, que, para isso, usaram a infraestrutura de produção ociosa. "Em tentativas e erros, fomos criando canais", conta Bruno Marossi, diretor executivo da Blues, que tem como carro-chefe o canal Pipocando, com mais de 2 milhões de assinantes. "Já tínhamos a infraestrutura. O investimento foi em madrugadas", explica

Nelson Botega, co-fundador e CEO da Rede Snack, explica que hoje o comportamento é vertical, o que faz com que pessoas sejam conhecidas só em alguns nichos. "Usamos a tecnologia e dados para encontrar os gaps. Criamos um canal de cultura sertaneja, por exemplo. Não havia nada para esse nicho", explica. Entre os principais canais da empresa estão Amigo Gringo e Maspoxavida (de PC Siqueira). Segundo Botega, ganhar audiência e relevância não acontece de um dia para o outro, leva tempo. "Não tem começo do canal sem pensar em 96 x 5", diz, referindo-se ao número de episódios semanais e duração.

Assim como acontece com os canais da NWB, e seus sócios offline, todos os canais da Snack são empresas distintas, que têm os talentos dos vídeos como sócios. Não é o caso da Blues, que, ao contrário, procura ser menos dependente do apresentador. Para isso, conta com duplas de apresentação, o que torna uma eventual substituição menos traumática.

A Digital Stars conta com um modelo diferente de envolvimento com os talentos e canais online, conta Luiz Barros, fundador e CEO da empresa. "Nosso foco é fazer gestão e desenvolvimento da imagem. Damos suporte comercial, de assessoria de imprensa, licenciamento e e-commerce. Também criamos formatos para outras plataformas, incluindo TV, e podemos negociar em novos mercados", conta.

Multiplataforma

Este é um caminho seguido por vários canais e Youtubers. "Alguns talentos não têm nenhum interesse em ir para a TV, outros sim, ou querem ir para o cinema", explica Luiz Barros. "Estamos desenvolvendo com parceiros para a TV, mas os criadores dos canais online precisam colaborar. Não queremos que nossos talentos entrem num filme como coadjuvantes só para trazer seu público. Precisa ser protagonista e, mais que isso, precisa ter um equity no filme", conta. Entre os talentos representados pela Digital Stars que seguiu esse caminho está a youtuber Kéfera.

Segundo o fundador da Digital Stars, mesmo na produção para outras plataformas, não há dificuldade em viabilizar uma produção. "Em cinema, temos parceria com algumas distribuidoras e contratamos a produtoras. Temos o desenvolvimento de roteiro e uma mídia cavalar. Nossa entrega de mídia para um potencial patrocinador do filme é muito mais do que um logo no início do filme no cinema. Antes do lançamento, garantimos a entrega de mídia. O filme é quase uma bonificação", diz.

A Blues também já desenvolve conteúdo para a TV. O "Bunka Pop" foi uma demanda do canal PlayTV, conta Bruno Marossi, e, por isso "já nasceu pago". Após a produção de uma temporada para a TV, o conteúdo passou por um corte em clipes mais curtos e seguiu para a Internet.

A NWB também conta com seus canais na TV. "Fazemos conteúdo original de forma líquida. procuramos adequar o conteúdo à plataforma na qual vamos comunicar. Construímos as marcas, geramos valor e audiência e adequamos às diversas plataformas", conta André Barros. No caso de Acelerados, exibido no SBT, André Barros conta que não houve uma migração da audiência da Internet para a plataforma linear. "Conseguimos replicar o conteúdo, porque são audiência distintas", completa. Já no caso de "Desimpedidos", que é exibido na Fox Sports, o público é o mesmo. "Deve ser pelo perfil da audiência do nicho e da plataforma. Tivemos que construir um formato novo para a TV".

A Rede Snack agora se associou à distribuidora Elo Audiovisual para desenvolver conteúdos para cinema e TV. "Queremos ter a mesmo agilidade da Internet ao levar conteúdo para TV e cinema", conta Botega.

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