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ABTA 2005
TV paga busca caminho seguro para o triple-play
terça-feira, 02 de agosto de 2005 , 14h07 | POR REDAÇÃO

O primeiro painel apresentado na ABTA 2005, com o tema "As portas para o mundo digital", gerou uma discussão sobre os rumos da televisão por assinatura diante das possibilidades da oferta convergente de serviços de vídeo, voz e dados.
Não é consensual entre os principais executivos da indústria de TV por assinatura no Brasil a opinião sobre qual o melhor caminho para se chegar à oferta integrada de serviços. Aliás, não é consensual nem a necessidade imediata de se chegar à oferta integrada de serviços nesse momento.
Chris Torto, presidente da Vivax, é cauteloso. Aposta que ainda há muito para se evoluir na oferta de serviços de vídeo e banda larga e que os serviços de voz virão naturalmente.
Francisco Valim, presidente da Net Serviços, entende que a TV por assinatura tem uma oportunidade de avançar sobre a oferta de serviços integrados, mas não detalha sua estratégia. "Ainda estamos desenhando um modelo de negócios rentável", diz. Ele deixa antever, contudo, um aspecto importante de sua futura linha de ação: a Net Serviços não será uma operadora de nichos de mercado, diz, e pretende tornar a oferta de serviços de voz disponível para toda a sua base de clientes.
A questão das parcerias com empresas de telecomunicações também é polêmica. A TVA, por exemplo, pondera que não é necessário ter parcerias desse tipo para que se explore serviços de voz, dados e imagens em escala nacional. Ao contrário, entende que pode-se buscar parcerias regionalmente, e mantém a aposta no uso de sua marca em cima de uma estrutura de diversos operadores para o serviço de voz. É o que acontece hoje, onde a marca TVA é usada em um produto que envolve a Primeira Escolha e a Net2Phone.

Escala

Os dois CEOs das empresas de DTH, Luiz Eduardo Baptista (Bap), pela DirecTV, e Ricardo Miranda, pela Sky, afinaram o discurso em relação à necessidade de escala para o desenvolvimentgo de qualquer projeto que envolva as TVs por assinatura por satélite. Para Bap, só a escala viabilizará a continuidade de melhoria nos serviços e investimentos no desenvolvimento de conteúdos nacionais. Miranda usa o mesmo ponto para defender a expansão de seus serviços como set-tops integrados com plataformas IP ou alta definição. Escala, aliás, é o principal argumento da Sky e da DirecTV para justificar a fusão das plataformas.
A questão das consolidações também voltou ao tema. Para Francisco Valim, há oportunidades no mercado para que algumas operadoras se consolidem, e ele não descarta até a hipótese de a Net estar entre as consolidadoras, "uma vez que não somos vendedores". Chris Torto também vê ainda oportunidades para consolidações, mas no momento a Vivax está priorizando a contrução de novos 400 km de rede.
Henrique Washington, sócio-diretor da Accenture, ponderou que a TV por assinatura avança sobre o triple-play em um cenário em que as teles também se movem sobre essas oportunidades. "A tecnologia está disponível e as empresas de comunicação estão prontas para transmitir o conteúdo. O que falta é a regulamentação para que o setor possa continuar o seu desenvolvimento", avalia.
Para Washington, a TV por assinatura chegará ao ponto de oferecer serviços convergentes, mas dificilmente conseguirá fazê-lo sozinha. "Pode ser que a TV paga passe a fazer parte de uma estratégia maior de empresas de TV por assinatura".

Concorrência

Questionou-se ainda aos operadores os riscos e vantagens da venda de conteúdos pelas programadoras para as empresas de telecomunicação. "Se essa distribuição baixar o custo para todos, então veremos a mudança de forma positiva", disse Leila Loria, presidente da TVA. "Isso não será um problema desde que as condições comerciais sejam iguais para todos", ressaltou Ricardo Miranda.
Os executivos concluíram que a questão mais importante a ser discutida no momento é a redução de custos de operação da indústria, e lembraram que aguardam a aprovação da reforma tributária. "Contribuímos muito com impostos e gostaríamos de poder utilizar esses recursos", concluiu Miranda, reforçado pela posição de Chris Torto.
Francisco Valim chamou a atenção para a questão das assimetrias regulatórias. "Hoje, se empresas de telecomunicações seguissem as mesmas regras das empresas de TV a cabo, já teríamos um cenário competitivo para o triple-play muito mais justo".

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