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PANORAMA INTERNACIONAL
Adelphia vive grave crise nos EUA
quarta-feira, 03 de abril de 2002 , 15h58 | POR POR TOM SOUTHWICK (COLABOROU SAMUEL POSSEBON)

As empresas de TV a cabo enfrentaram a recessão econômica de 2001 melhor do que outros segmentos do setor de comunicação nos EUA. Mas não estão, contudo, imunes a reveses financeiros de diferentes naturezas.
O exemplo mais recente é a Adelphia, a sexta maior MSO dos EUA, com mais de 6 milhões de assinantes. Ela sempre foi uma das empresas mais conceituadas no mercado, e uma das únicas a ainda ter os controladores originais (a família Rigas) em seu comando. John Rigas criou e dirige a companhia desde 1952 juntamente com seu irmão (em grego, a palavra Adelphia significa, justamente, irmãos).
A empresa dos Rigas sobreviveu a muitas crises, incluindo a investida há uma década da Bell Atlantic, que chegou a criar uma operadora de cabo para competir com a Adelphia nos seus principais mercados.
Mas a última crise parece ser a mais grave de todas. No encalço do escândalo da Enron, os investidores norte-americanos têm sido extremamente cautelosos com qualquer mínimo problema contábil em qualquer empresa. A bomba em Wall Street caiu quando a Adelphia admitiu que não havia reportado dívidas de US$ 2,3 bilhões com empresas que não apareciam no balanço da companhia, boa parte delas controladas pela própria família Rigas.
Estas práticas contábeis não são necessariamente ilegais e têm sido muito comuns entre as empresas norte-americanas, mas a amplitude da dívida não declarada da Adelphia fez com que os investidores recuassem suas posições em ações e os acionistas formassem grupos para processar os controladores. Acusaram a Adelphia de ter enganado acionistas e investidores por não ter reportado os empréstimos. A SEC (a CVM norte-americana) também admitiu estar investigando as práticas contábeis da Adelphia, o que ajudou a espalhar ainda mais o pânico entre os investidores.
Na terça as ações caíram mais de 10%, fechando uma seqüência de desvalorizações consecutivas que chegaram a 50%. Se a família Rigas vai suportar a crise sem ter que se desfazer do negócio (a preços obviamente baixos, dada a emergência da situação), ainda não se sabe. Um "cavaleiro branco" precisaria aparecer com uma boa oferta de compra da parte dos Rigas na Adelphia, mas existem poucos candidatos para esse papel. A maior operadora de cabo dos EUA, a AT&T Broadband, está sendo incorporada pela Comcast, a terceira maior operadora. A AOL Time Warner, segunda maior MSO, enfrenta problemas financeiros não menos graves. De fato, apenas a Cox estaria hoje em condições de assumir a Adelphia. Mas é uma empresa que tem procurado evitar aquisições e fusões nos últimos anos justamente para evitar sofrer com os elevados graus de endividamento que afetam os operadores que entraram nessa onda. Não é por acaso que nas últimas 52 semanas suas ações caíram apenas 11%, desempenho muito melhor do que o da maioria das empresas de telecomunicações.
A situação da Adelphia no Brasil não deve sofrer alterações significativas, já que os negócios por aqui funcionam de forma bastante independente da matriz norte-americana. Mas caso haja venda de ativos, as operações brasileiras certamente não são prioritárias.

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