Políticas
05/06/2013, 16:25

SP e RJ querem sinergia para promover o audiovisual brasileiro

POR ANA CAROLINA BARBOSA

Juca Ferreira, secretário municipal de cultura de São Paulo, e Sérgio Sá Leitão, secretário municipal de cultura do Rio de Janeiro, participaram na manhã desta quarta-feira, 5, do Fórum Brasil de Televisão, evento que a Converge Comunicações promove em São Paulo, pregando o fim da disputa entre as duas cidades e construção de uma sinergia para a promoção do audiovisual brasileiro como um todo.

O Rio de Janeiro é o grande exemplo nacional de políticas públicas para o audiovisual. Entre 2009 e 2012, a Riofilme, empresa da prefeitura carioca para investimento em cinema, investiu cerca de R$ 100 milhões em 252 projetos audiovisuais, sendo que R$ 26 milhões vieram das receitas de 32 projetos reembolsáveis. Considerando apenas os projetos reembolsáveis, o investimento resultou em um aporte de R$ 540 milhões ao PIB nacional, criação de 8.340 postos de trabalho e vendas de 38 milhões de ingressos.

A Riofilme também investe na construção de dois polos audiovisuais (um na Barra da Tijuca e outro em São Conrado) e em capacitação profissional. Em 2013 lançou linhas de investimento automático tanto para a produção cinematográfica quanto para a televisiva, em que o critério para a liberação da verba é o desempenho da produtora. A linha foi lançada em março e até o momento foram investidos R$ 6,5 milhões em projetos de séries de TV. No total, foram 11 projetos inscritos e habilitados, sendo seis documentários, quatro ficções e uma animação, envolvendo oito produtoras, sete canais e quatro programadoras.

Rodrigo Guimarães, gerente de investimento da Riofilme, que apresentou os dados no Fórum Brasil, acredita que a interação entre Rio de Janeiro e São Paulo já começou e afirmou que existe troca de experiências no audiovisual entre as duas cidades. "O grande desafio agora não é o dinheiro, mas os meios de produção", disse.

Juca Ferreira, que assumiu este ano a Secretaria de Cultura de São Paulo, disse ter ficado surpreendido com a "fragilidade" da secretaria e de outras estruturas públicas de cultura. "As coisas estão andando mais devagar do que eu gostaria, não há profissionais suficientes, os equipamentos estão exauridos", observou, acrescentando que o principal instrumento de sua gestão para fortalecer o audiovisual paulistano será o diálogo.

De fato, o secretário tem discutido o tema com produtores audiovisuais paulistanos e já fala na criação de uma agência de fomento (ainda sem nome, mas possivelmente SP Filme ou SP Cine) e soluções para a estruturação de uma film commission que possa facilitar o trabalho de quem decidir filmar na cidade. No entanto, Ferreira acredita que há questões mais profundas a serem tratadas. "Tenho dúvida se o maior estrangulamento é o recurso. Acho necessária a construção de uma política. Tem como criar uma política e ter a agência como principal instrumento", destaca.

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