Política audiovisual
06/05/2003, 17:26

Conflito entre ministérios estimulou protestos de cineastas

POR REDAÇÃO

Segundo fontes próximas ao governo, o recente debate aberto nos últimos dias referente à distribuição de recursos e à política das estatais de incentivo cultural foi resultado, principalmente, de uma disputa por espaço entre o Ministério da Cultura, sob a batuta de Gilberto Gil, e a Secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica, comandada por Luiz Gushiken. O MinC, incomodado por estar sendo deixado de lado na questão da política de destinação dos recursos estatais para iniciativas culturais (que somam cerca de R$ 600 milhões só em 2003), teria estimulado o setor de cinema a se manifestar, aproveitando a iniciativa desastrada da Eletrobrás e Furnas na divulgação de suas respectivas políticas de investimento com contrapartida social. O presidente Lula determinou, então, que Gil e Gushiken chegassem a um termo comum antes que o assunto ganhasse mais destaque de mídia, o que foi feito nesta terça, 6. A decisão de dividir a responsabilidade sobre esses recursos em meio-a-meio também foi uma forma de acalmar os ânimos.
O que chama a atenção do governo é o destaque dado, sobretudo pelos veículos de comunicação da Globo (sobretudo o jornal O Globo, portal Globo.com, GloboNews, Jornal Nacional e Jornal da Globo) para a crise. Uma das leituras é que a Globo teria interesse direto na questão por conta da Globo Filmes. Outra leitura que encontra respaldo dentro do governo é de que a Globo teria dado tanto destaque, na verdade, para enfraquecer a Secom em um momento em que a secretaria busca, também, a distribuição de recursos publicitários estatais de maneira diferente da atual. Por exemplo, comprando grandes espaços publicitários para o conjunto de órgãos governamentais e empresas estatais com desconto e distribuindo sua verba de acordo com a audiência ou circulação dos veículos. A Globo compara essa forma de negociar com a dos grandes birôs de mídia multinacionais, aos quais se opõe. Para a emissora, que tem uma estratégia de comercialização agressiva e que consegue mais de 75% da verba publicitária de TV mesmo tendo 50% da audiência média, tal política seria ruim.
O governo sinaliza, contudo, que não vai ceder nesta questão. Nos próximos dias será feita a licitação para a escolha das três agências a serem contratadas pela Secom para tocar a parte de publicidade do governo. E, aparentemente, a política de comprar em bloco e distribuir a verba proporcionalmente à audiência está mantida.

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