Audiovisual
08/10/2003, 15:27

Boni: "Crise da TV aberta é oportunidade para a TV paga"

POR REDAÇÃO

Segundo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, a TV por assinatura no Brasil vive atualmente a sua grande oportunidade de crescimento, uma janela que decorre da crise por que passa a TV aberta. Segundo Boni, que falou durante a abertura do segundo dia do Congresso ABTA 2003, todas as emissoras estão lutando com muitas dificuldades para sobreviver ao mercado atual, em que a TV Globo controla 80% das verbas publicitárias e ainda impõe um elevado padrão de qualidade. "A crise no broadcast é a oportunidade para a TV por assinatura competir com a TV aberta, com sua diversidade e com a segmentação", afirmou Boni, lembrando que a TV brasileira ("e eu entendo TV, paga ou aberta, como uma coisa única") carece de diversidade, novas idéias e renovação. Ele enalteceu e lembrou a importância que a TV aberta brasileira, sobretudo a Globo, tem hoje. Citou artigo recente do sociólogo italiano Domenico de Masi, que coloca a TV do Brasil como uma das grandes exceções mundiais de resistência e alternativa ao padrão hegemônico norte-americano vigente no resto do mundo. Por outro lado, colocou a TV por assinatura como uma real alternativa à hegemonia da TV aberta dentro do próprio Brasil, mas lembrou que isso requer uma aposta em um conteúdo pensado para o público brasileiro. "Em termos de audiência, é difícil competir com a TV aberta, porque lá tudo é feito para agradar a todas as classes. Mas é hora de repensar o conteúdo da TV paga para que se chegue às classes B e C", ressaltou Boni, e completou: "sempre acreditei na necessidade de uma TV segmentada".
Boni lembrou que a sua experiência em televisão sempre esteve centrada em trazer idéias e pessoas de outras áreas. "Não acho que se deva copiar o que dá certo hoje na televisão aberta. Não é esse o caminho. A busca de alternativas surge com idéias frescas, com pessoas sem os vícios da TV. É preciso também aprender com o telespectador, e o comportamento do telespectador na TV segmentada é fundamental para isso", citando o caso dos canais infantis.
Boni acredita no produto audiovisual nacional como bem exportável, ressaltou que a TV brasileira só começou efetivamente a existir depois da década de 60, quando programas importados começaram a dar lugar a uma preocupação efetiva com conteúdos e formatos brasileiros. "No início, importar era mais barato do que produzir, mas esse não era o caminho para fazer a TV crescer".

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