Especial
09/05/2017, 00:35

Aos três anos, parceria da Globo Filmes e da GloboNews tem 80 documentários em execução com produtoras independentes

Há três anos a GloboNews e a Globo Filmes iniciariam uma parceria para estimular a produção de documentários de longa-metragem. A iniciativa se tornou um dos mais importantes motores do documentário nacional, gerando números impressionantes de produção. Desde o início, a ideia – enfatizaram Eugenia Moreyra, diretora da GloboNews, e Edson Pimentel, diretor da Globo Filmes, em entrevistas exclusivas a TELA VIVA – foi fomentar a produção de documentários para a janela cinematográfica, sempre respeitando seu tempo de exclusividade antes da exibição da obra no canal. Ao mesmo tempo, exibi-los com destaque e em horário nobre, num esforço para formar novos públicos para o documentário nacional. Além disso, a programação do canal também ajuda a divulgar os filmes, inclusive durante o lançamento na primeira janela, abordando o seu tema em programas da grade e levando o diretor para participar de entrevistas e debates.

Os longas já exibidos atingiram mais de 6 milhões de pessoas apenas na GloboNews e o alcance médio das produções foi de 450 mil telespectadores por exibição. Além do canal de notícias, os documentários frutos da parceria também são exibidos no Canal Brasil, coprodutor dos filmes que realiza aportes por meio de orçamento direto.

Segundo Pimentel, da Globo Filmes, existem, atualmente, 80 projetos em diferentes estágios de produção, envolvendo mais de 60 produtoras independentes de diferentes regiões. "Para este ano, está previsto o lançamento em cinema de 22 documentários. Até o ano passado eram 15 por ano", explica. A ideia é conseguir ocupar a grade do canal com um documentário inédito toda semana. "O nosso objetivo é ter 52 documentários por ano. Para isso, vamos precisar ter um volume maior de produção, pois o processo de maduração de um documentário é longo", completa.

O resultado na audiência da GloboNews é positivo, explica Eugenia Moreyra: "Desde a estreia da faixa das 21h, aos sábados, o alcance do horário dobrou. Faz todo o sentido um canal de jornalismo participar da produção de documentários".

As propostas passam por uma comissão de seleção e por um comitê deliberativo, que analisam a pertinência temática e a viabilidade do filme. Esse trabalho é conduzido por Renée Castelo Branco e Simone Oliveira. Segundo Eugenia Moreyra, o canal de notícias busca documentários autorais. Há um acompanhamento ao desenvolvimento e à produção, mas sem comprometer a visão autoral. "Temos também a preocupação de revelar novos diretores, diretores de primeiro filme. O importante é que traga uma ideia original e que aprofunde alguma questão. No começo teve muito projeto sobre a ditadura, hoje o cardápio vai até a pessoas anônimas. Estamos falando cada vez para um público mais amplo", explica.

 

Segundo Edson Pimentel, o projeto recebe um investimento financeiro através do Artigo 3ºA da Lei do Audiovisual, que varia de acordo com o orçamento total. Geralmente, o investimento não cobre o valor da produção, cabendo ao produtor buscar mais recursos no mercado. Além do valor financeiro, o produtor ganha acesso ao acervo de imagens da TV Globo, além da curadoria de produção nas várias fases do projeto. "Por sua riqueza, o Acervo Globo (antigo Cedoc) tem sido o maior parceiro do documentário brasileiro da história recente do país. Abri-lo às produtoras é enriquecer esses projetos", completa Pimentel.

O tamanho dos projetos é variado, com orçamentos que variam de R$ 300 mil a R$ 1,5 milhão. As empresas, segundo Pimentel, vão das grandes produtoras brasileiras, como O2, Conspiração e Gullane, até pequenas produtoras que contam com equipes de quatro pessoas. "Nos prendemos muito à proposta e não a quem está executando. Se escolhermos ser coprodutores, damos todo o suporte para a sua execução", completa o diretor da Globo Filmes.

As produções da parceria também têm despertado interesse do mercado estrangeiros. Quase 30 anos depois da morte de Chico Mendes, o diretor Rafael Calil prepara o documentário "Povo da Floresta", sobre o legado do ambientalista. O diretor oficializou a participação da Rainforest Partnership no projeto e vai cuidar da divulgação internacional do filme, incluindo uma participação na Conferência de Copenhague. Outras grandes produções como "Novas Espécies" e "Zatari", da Grifa Filmes; "Artéria China", da Perigo Filmes; e "Sociedade do Ferro", da Prodigo Filmes, sobre a tragédia em Mariana, também receberão investimentos de países europeus, da Alemanha e Canadá. A parceria Globo Filmes/GloboNews também foi procurada pelo Sunny Side Of The Doc para indicar projetos para fazerem parte da triagem do pitching em La Rochelle, na França.

Lançamentos

Os atuais títulos nos cinemas são "Pitanga", de Beto Brant e Camila Pitanga, que ganhou o prêmio da crítica de melhor filme brasileiro na Mostra Internacional de Cinema e estreou dia 6 de abril; "Belo Monte", de Alexandre Bouchet, selecionado para o Fipa, em Biarritz, na França, que estreou dia 13 de abril. "Galeria F", de Emília Silveira, que retrata a história de um ex-preso político que escapou da ditadura, e está em cartaz; e ainda "Exodus – De Onde eu Vim Não Existe Mais", de Hank Levine, sobre a luta de refugiados por sobrevivência, com lançamento marcado para junho deste ano.

Entre os filmes que já estão prontos e devem estrear em breve estão os documentários "Silêncio no Estúdio", de Emília Silveira, sobre a jornalista Edna Savaget, que fala sobre a história da televisão brasileira e foi premiado no 11º Festival Aruanda do Audiovisual Brasileiro, na Paraíba – melhor montagem e trilha sonora. Já "Intolerância.doc", de Susanna Lira, exibido no Festival do Rio 2016, retrata o crescimento dos crimes de ódio no país, e "Abrindo o Armário", de Dario Menezes, fala sobre o movimento gay masculino no Brasil e as conquistas no final da década de 60 até os dias atuais.

Outros destaques dos novos projetos da parceira, que estão em diferentes fases de produção, são "Argelino por Acaso", inspirado na história familiar do diretor Karim Aïnouz. "Quem é Primavera das Neves", de Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo, mistura de ensaio poético e biografia sobre a tradutora portuguesa e poetisa Primavera, e "Cidades Fantasmas", de Tyrell Spencer, que investiga quatro cidades da América Latina, ambos têm produção assinada pela Casa de Cinema, de Jorge Furtado, e o último ganhou melhor filme no É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários. O filme "Abolição", de Alice Gomes, que terá supervisão artística do diretor paulista Jeferson De, e Joana Mariani volta ao tema da religião, com "Aparecida 300 anos", que levantará a importância do feminino na figura materna para os brasileiros e está sendo rodado. "Corredor Polonês", de Barbara Paz, vai fazer um retrato afetivo de Hector Babenco (1946-2016). E ainda, "Um Certo Wilson", que vai retomar o episódio do atentado no Riocentro em 1981.

 

 

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