Regulação
10/08/2017, 23:05

Ancine passa a divulgar dados mensais de conteúdo nacional nos canais de TV paga

A Ancine lançou nesta quinta, dia 10, os primeiros dados consolidados do Monitoramento de TV Paga. Trata-se de um acompanhamento detalhado que a agência realiza sobre a programação dos diferentes canais de TV paga no Brasil para verificar o cumprimento das cotas de programação nacional, mas também para acompanhar as tendências de programação e publicidade. Os dados são compilados a partir de planilhas entregues mensalmente pelos programadores com o detalhamento, canal a canal, da programação por faixa horária. A entrega destes dados é obrigatória e periódica. As planilhas formam um gigantesco banco de dados de mais de 10 GB que a agência utilizará para publicar os relatórios em extratos mensais e para serem disponibilizados de maneira bruta para o mercado através do Observatório do Audiovisual (OCA).

Os dados divulgados pela Ancine nesta quinta referem-se ao ano de 2016, e por eles é possível ter uma ideia das principais características da programação de TV paga. Segundo os números da Ancine, do total de horas exibidas nos cerca de 90 canais compilados (a Ancine conta canais HD e SD como um canal só quando a programação é a mesma), 72% da programação em horário nobre foi de conteúdo estrangeiro, 13,4% foi de conteúdo brasileiro (9,7% independente e 3,7% não-independente), 11,1% de publicidade e 3,4% de outros tipos de programação.

No período das 18:00 as 19:30, 40,1% do conteúdo exibido foi brasileiro, percentual que cai a 28,5% na faixa das 19:30 às 21:00, 16,6% das 21:00 às 22:30 e 14,8% das 22:30 às 00:00. Os dados analisam o ano de 2016 até novembro apenas.

Uma das principais novidades do levantamento da Ancine é que a granularidade das informações permite saber o ranking dos programas mais exibidos. No período divulgado, o programa "Vai que Cola" do Multishow ocupou 51 horas e 35 minutos, e foi o principal programa não-independente. Já o programa HQ – Edição Especial, dos canais HBO, foi o segundo mais exibido, com 39 horas e 2 minutos de janeiro a novembro de 2016. É também o principal programa independente em horas de exibição. Entre os cinco mais exibidos no horário nobre em novembro estão ainda os programas TVZ do Multishow (não-independente, com 31:30 horas), #Mechamadebruna da Fox (independente, 26:16 horas), O Grande Gonzalez da Fox (independente, com 25:47 horas). A listagem da Ancine, contudo, dá o número exibidas de horas de todos os programas.  Este dado é importante para se medir o volume de repetições de um mesmo programa, por exemplo, e eles podem ser pesquisados e ordenados por tipo de obra, canal, classificação etc.

É possível extrair também o ranking dos canais com mais horas de conteúdo brasileiro em horário nobre. Em novembro de 2016,  Multishow (149:05 horas), Viva (139:23) e GNT (109:41 horas), todos da Globosat, foram os recordistas, seguidos do Discovery Home & Health (60:03 horas), Fox 1 (47:07), A&E (26:46), Telecine Touch  (26:33). A Ancine também compilou a partir do levantamento os canais com mais e menos publicidade. Entre os canais com menos publicidade exibida, na análise de novembro de 2016, destacam-se os canais Discovery Science (10:22 horas), Discovery Theater HD (11:56 horas), Discovery Civilization (18:030, HBO Plus (20:46)  e TNT (21:37).

Segundo a presidente interina da Ancine, Débora Ivanov, a agência avalia os resultados muito positivamente porque os canais estão cumprindo as obrigações de distribuição de conteúdo brasileiro em percentuais significativamente acima das cotas previstas pela Lei 12.485/2011. "No horário nobre, a exibição está 60% acima do estabelecido, e nos canais infantis chega a 93% acima do percentual das cotas, principalmente com animação. Isso mostra que há demanda e público por conteúdo nacional na TV paga brasileira", diz a presidente.

Ela explica que esses dados são ainda cruzados com os dados extraídos do acompanhamento que a Ancine faz do que foi efetivamente veiculado (gravação dos canais) para fins de fiscalização e, no futuro a Ancine pretende ainda cruzar esses dados com os dados de audiência medida pelo Ibope, por exemplo.

"Não pensamos em estabelecer metas para que o conteúdo brasileiro ocupe mais espaço, mas obviamente o que queremos é uma ampliação, e o levantamento balizará as nossas políticas diz Ivanov. Outra utilidade do levantamento é permitir medir a efetividade dos investimentos em fomento feitos nas obras para televisão. A Ancine ainda não faz o acompanhamento dos conteúdos veiculados sob-demanda ou em pay-per-view.

Os dados completos estão no site http://oca.ancine.gov.br/resultados-mensais-tv-paga

Comentários

2 Comentários

  1. Richard disse:

    Isso… graças a essa imposição de lixo nacional, a tv paga brasileira se tornou um entulho!

  2. Gui disse:

    Principal reclamação que se fazia sobre a TV por assinatura era o excesso de porcaria enlatada (costumava-se chamar de "lixo satelital" a um grande grupo de canais estrangeiros que vivia de reprises de filmes e séries e ninguém assistia). Agora vieram as cotas e a reclamação geral é… o excesso de porcaria nacional. Eu prefiro a HBO gastando com uma série brasileira do que exibindo um filme em inglês com legenda em portunhol.

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