Produção audiovisual
10/11/2015, 00:13

Produção de conteúdo lifestyle requer compreensão das necessidades do canal

Conhecer o canal para o qual está se desenvolvendo uma produção é uma das dicas mais citadas por produtores audiovisuais brasileiros quando alguém pergunta pelo "caminho das pedras" neste mercado. Segundo Mônica Monteiro, diretora executiva da Cinegroup, o relacionamento com o cliente se torna ainda mais importante em um gênero com definições amplas, como o lifestyle.

"Não há uma definição exata sobre o que significa programa de lifestyle, e cada um tem um pensamento diferente sobre isso. Daí uma importância ainda maior em estar sempre em contato com o canal, entender seu cliente e o que ele está procurando", diz a produtora.

A Cinegroup, responsável por atrações como "Boas Vindas", exibida no GNT, e "O Inflitrado", no ar pelo History, lançará ainda neste ano na MTV a atração "Deu Match", que acompanha cinco jovens em busca de amor e sexo via internet e aplicativos como Tinder. "O programa de lifestyle pode ser sobre decoração, trabalho, saúde, comportamento, até mesmo alimentação. É um leque muito amplo de possibilidades", conclui Monteiro.

A produtora participou nesta segunda, dia 9, de painel sobre tendências na produção de conteúdo de Lifestyle promovido durante o Telas Forum 2015. Além dela, participaram da discussão Salim Mukaddam, diretor de conteúdo musical da BBC; Simoni de Mendonça, sócia da Intro Pictures; e Isabela Silva, gerente de programação do canal Fox Life.

VOD

Para Mukaddam, da BBC, a popularização de plataformas de VOD permitirá explorar uma diversidade maior de temas em programas de lifestyle, comportamento e música. Segundo o executivo, essas plataformas combinam uma pressão menor por audiência com flexibilidade para o cliente, e isso permite explorar conteúdos de nicho. "O VOD permite maior divercificação e mais conteúdo de nixo. Sem a mesma preocupação com audiência presente em outras plataformas, há espaço para outros projetos. Artistas podem entrar em parcerias para divulgar seu novo álbum, por exemplo", diz.

Isabela, do Fox Life, também disse ver no VOD uma plataforma capaz de absorver conteúdos de nicho. "Acredito que sim, o VOD dá possibilidade de o cliente assistir na hora que ele precisa e é isso que as pessoas estão procurando. No seu tempo de interesse, esse cliente vai lá e busca o conteúdo que quer, e isso permite 'nichar' mais".

Para a executiva, a tendência é que essas plataformas assumam papel cada vez mais relevante no negócio dos canais. "Os canais já enxergam necessidade disso e hoje na Fox buscamos complementar. No futuro pode haver conteúdo exclusivo para o Fox Play". A executiva ainda citou experiência recente do canal com a série "Grande Gonzalez", do Porta dos Fundos, que estreou alguns dos seus episódios nas plataformas online antes de estreá-los no linear.

Exportação

Para os painelistas, capacidade de exportação está se tornando cada vez mais relevante para o sucesso dos projetos audiovisuais. Tanto para o canal quanto para produtora, explorar novos mercados ajuda a compor o orçamento e viabilizar a obra. Contudo, a ideia esbarra em alguns desafios bem conhecidos para o mercado nacional – língua e pouca experiência na exportação de conteúdos do gênero.

"No caso do Fox Life, estamos trabalhando muito com a criação de franquias, tentando investir para que o conceito do formato possa ser aproveitado em outros territórios. É o caso de 'Lucky Ladies', do México e que mostra mulheres do Rock. Reproduzimos aqui e teve boa repercussão, mas muito menor que a versão nacional com mulheres do funk. Esse componente regional traz muito resultado para o canal", diz Isabela, do Fox Life.

De acordo com Mônica, do Cinegroup, as maiores oportunidades se encontram em temas de interesse universal sobre o país, como a Amazônia, ou de interesse geral. "Geralmente os canais fecham conosco Brasil e América Latina, é uma preocupação que o mercado já tem. Temos boa penetração na África também, mas ainda é difícil vender para fora. Temas regionais são muito complicados. Já tentamos, por exemplo, com festa junina, mas o interesse geralmente está em clichês como Amazônia e temas de interesse universal como hábitos alimentares", conta.

Para Simoni, fundadora da Intro, é preciso buscar conteúdos de impacto imediato, capazes de atrair a atenção do jovem da mesma forma que fazem os vídeos da internet. "Acho que não é impossível, porque 'Tapa na Pantera' foi vendido até para o Japão. Acho que o grande desafio é procurar produtos que tenham impacto imediato. Vemos a internet ganhando um espaço descomunal entre os jovens hoje e precisamos de conteúdo com esse apelo. Mas será que é possível isso fluir na TV com menos censura e protocolo? É um desafio quebrar um pouco isso", diz.

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