Chapter 11
12/02/2004, 15:06

Credores que foram à Justiça contra Globopar temem transferência de ativos

POR SAMUEL POSSEBON

Os fundos GMAM Investment Funds Trust I, Foundation for Research e WRH Global Securities Pooled Trust, respaldados pelo fundo gestor W.R. Huff, que entraram na Justiça de Nova York em 11 de dezembro pedindo para que a renegociação da dívida da Globopar seja feita sob as regras do Chapter 11, voltaram a abrir artilharia contra a Globo. Na terça, dia 10, os fundos entregaram à Justiça uma espécie de resposta à defesa feita pela Globopar em janeiro. Nessa resposta, fazem uma série de acusações contra o grupo, acusações estas que a Globopar diz serem distorcidas e inverídicas.
Os fundos credores, basicamente, rebatem a tese da Globopar de "forum non conveniens" (local não adequado). Dizem que os papéis de dívida foram sim comercializados nos EUA, que a empresa tem ativos fora do Brasil e que boa parte dos credores são norte-americanos e que, por isso, a Justiça de Nova York, ou de Delaware, pode participar do processo. A defesa da Globopar é baseada na argumentação de que a Justiça de Nova York e a legislação norte-americana não são adequadas para conduzirem o processo, já que o grupo Globo tem a maior parte de seus ativos e operações no Brasil.
O fundo W.R. Huff, que é parte também do comitê de detentores de bonds e que faz as declarações em defesa dos três credores, argumenta também que o grupo Globo tem se comportado de maneira pouco cooperativa na negociação. Diz que desde a moratória, em outubro de 2002, houve apenas quatro encontros efetivos com os credores e apenas duas propostas na mesa. Diz ainda que a Globopar só apresentou uma resposta à contraproposta dos fundos depois de ser cobrada pelos credores, e mesmo assim veio com uma resposta de apenas uma página, incompleta em muitos pontos.
Segundo o documento apresentado pelos três fundos à Justiça de Nova York, a demora da negociação e as condições em que ela está sendo feita permitem que a Globopar transfira ativos, o que prejudicaria os credores. Pedem, portanto, para que a Justiça norte-americana acompanhe o processo, que seria regido pelas regras do Chapter 11. Não pedem, contudo, para que seja nomeado um gestor para a dívida nem para as operações da Globopar.
Os fundos que recorreram à Justiça de Nova York alegam ter cerca de US$ 95 milhões a receber. A dívida da Globopar em renegociação com os comitês de credores é de US$ 1,185 bilhão.
A Globopar diz que os argumentos são distorcidos. "Não temos a intenção de permitir que ações provocativas irresponsáveis de um credor isolado interrompam ou prejudiquem o processo, colocando em desvantagens outros credores, sejam bancos, fundos ou pequenos investidores que detenham nossos títulos", diz a empresa em comunicado, ressaltando que estuda até mesmo recorrer à Justiça para preservar seus interesses e sua integridade. O comunicado da Globopar, na íntegra, segue em nota separada.
A decisão da Justiça de Nova York sobre o pedido de Chapter 11 feito pelos três credores deve sair no dia 19 de fevereiro.

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