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Panorama Internacional
As lições do caso Adelphia nos EUA
quarta-feira, 12 de junho de 2002 , 18h21 | POR POR TOM SOUTHWICK

Até esta semana, o escândalo meteórico e a crise que afetou a Adelphia nos EUA havia poupado os demais operadores, mas isso começou a mudar.
Os problemas da Adelphia são muito graves e, o que é pior, são do tipo que pode acontecer em qualquer boa família (ou empresa): empréstimos mal feitos para seus próprios executivos, grandes retiradas de caixa por parte da família controladora, relatórios financeiros pouco precisos.
No dia 10, a Adelphia protocolou na SEC um relatório sobre suas práticas contábeis que, indiretamente, levanta questionamentos sobre práticas adotadas por muitas empresas de TV a cabo.
Este relatório diagnosticou muitas questões que, para empresas de TV a cabo, são específicas e comuns, mas que causam problemas quando olhadas à luz do mercado financeiro.
Por exemplo, a Adelphia relatou que o número de assinantes de 2000 e 2001 foi inflado artificialmente. Como? A Adelphia, como quase todas as operadoras de cabo, vende assinaturas individuais e assinaturas para condomínios. Neste segundo caso, há um desconto pelo pacote, mas a Adelphia admitiu que contabilizava cada morador desses condomínios como um assinante, mesmo que o serviço não estivesse contratado. Isso criou 50 mil assinantes que nunca existiram.
A Adelphia também passou a contabilizar como receita US$ 26 pagos pelos fornecedores por cada decoder digital comercializado. Este dinheiro deveria ser aplicado em campanhas de marketing promovidas pela Adelphia, mas acabou sendo contabilizado como receita, inflando o balanço da operadora em mais de US$ 100 milhões.
Além disso, a Adelphia admitiu que tratava o pagamento feito à sua equipe técnica como investimento, e não como custo operacional.
São práticas largamente praticadas pelas empresas de Tv a cabo, mas que passaram a ser questionadas nesse período pós-Enron.

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