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12/08/2008, 21:06

Globo recebe grau de investimento da S&P

POR REDAÇÃO

Com direito a notícia no "Jornal Nacional", a Globo Comunicações e Participações SA recebeu da agência de ratings Standard & Poor's (S&P) a classificação BBB-, primeiro degrau do chamado grau de investimento (a classificação anterior era BB+). Entre os fatores indicados pela agência para a classificação, foram citados a liderança no mercado de TV aberta e na programação de conteúdos para a TV por assinatura. A agência considera que a empresa tem um desempenho financeiro confiável, "apesar do ambiente competitivo do broadcast, que vem pressionando suas margens operacionais".
Para a S&P, a dependência da Globo das receitas publicitárias e sua exposição ao aumento de custos manterão o rating estável, mas serão impedimentos a uma nova elevação.
A agência espera que a margem EBITDA da empresa se estabilize em torno de 18% a 19%, como consequência das medidas já tomadas para conter os custos de programação. A S&P acredita que a Globo tem possibilidade de manter seu crescimento no mercado publicitário e na distribuição de conteúdos para novas mídias.

Domínio

Segundo a agência, a classificação da Globo se apóia em sua posição "claramente dominante" no mercado de TV aberta, posição atingida através de sua "produção de alta qualidade e altamente bem estruturada, com níveis consideráveis de produção própria, sua liderança na produção de TV por assinatura no idioma local e seus fortes indicadores financeiros".
Esta dominância, diz a agência, ajuda a mitigar os riscos derivados "da concentração de suas receitas na radiodifusão, sua dependência do mercado cíclico de publicidade no Brasil, de sua estrutura de custo fixo e da importante defasagem entre seu fluxo de caixa em reais e dívida em dólar."

Bom momento

Segundo a S&P, o principal motivo do upgrade foi a melhora no perfil financeiro da Globo. A agência cita as condições favoráveis da economia brasileira e o crescimento do mercado publicitário, de 7% anuais em média, como tendo impacto positivo na empresa. A Globo, diz o release da S&P, soube tirar vantagem do ciclo positivo, usando seu cash flow para reduzir sua dívida.

Crescimento

Como a Globo absorve grande parte das receitas de publicidade do país, seu crescimento praticamente acompanhou o do mercado. As receitas da empresa foram de US$ 3,7 bilhões nos 12 meses de março de 2007 a março de 2008, um aumento de 8% no período.
Uma "forte competição por talentos e conteúdos" vem pressionando as margens operacionais, diz o release, mas a expectativa é de que estas margens se estabilizem, graças a medidas adotadas pela Globo, como "eventos promocionais e contratos de longo-prazo com profissionais-chave".
A liquidez do grupo também contribuiu para o rating. A empresa contava com caixa líquido de quase US$ 350 milhões em março de 2008, com ativos líquidos de US$ 994 milhões, maior portanto que a dívida de US$ 647 milhões.
A S&P prevê que a Globo continue a gerar cash flow de no mínimo US$ 200 milhões nos próximos anos, suficiente para amortizar a dívida.

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