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Chapter 11
Reestruturação da DirecTV não prevê fusão com Sky
sexta-feira, 12 de dezembro de 2003 , 12h54 | POR SAMUEL POSSEBON

O plano de reestruturação da DirecTV Latin America é ousado e, se for cumprido, prevê o crescimento das operadoras da holding já a partir do ano que vem. Segundo os documentos registrados na Bankruptcy Court de Wilmington, Delaware (EUA), todo o planejamento foi feito considerando que, mesmo após a efetivação da compra de 34% da Hughes (controladora da DLA) pela News Corp. (controladora da Sky), as empresas continuarão trabalhando independentemente. Segundo os documentos, não existe, até o momento, nenhum acordo ou plano de unificar as operações Sky e DirecTV na América Latina.
O primeiro ponto que chama a atenção do projeto de reestruturação é o corte nos custos de programação. A DirecTV Latin America deve ter despesas de programação da ordem de US$ 301 milhões em 2003. Esse valor deve cair, de acordo com o plano, para US$ 222 milhões em 2004. A partir daí, as despesas com programação aumentam progressivamente e chegam em 2008 na casa dos US$ 341 milhões, conforme o planejado. A maior parte deste corte virá da repactuação dos contratos, prevendo cláusulas de proteção contra variações cambiais, fim dos mínimos garantidos e posicionamento dos canais em novos pacotes. Antes do Chapter 11, a DirecTV tinha dois grandes credores na área de programação: Infront (Kirch Media), com os direitos para a Copa do Mundo, e Buena Vista (Disney). No caso da Infront, os compromissos chegavam a US$ 272,5 milhões, referentes à Copa de 2006. No caso da Disney, o contrato era de US$ 633 milhões. No primeiro caso, a DirecTV conseguiu renegociar os direitos para a Copa de 2006 por US$ 185 milhões. No caso da Disney, o corte foi ainda maior, passando dos US$ 633 milhões para US$ 275 milhões. Os valores são expressivos e servem de referência para outras transações. Vale lembrar que a Globo, por exemplo, também está renegociando o que pretende pagar pelos direitos da próxima Copa do Mundo. Originalmente, deveria desembolsar cerca de US$ 240 milhões, mas quer bem menos que isso agora.

Fôlego

A DirecTV Latin Ameica pretende sair do Chapter 11 com cerca de US$ 300 milhões a US$ 350 milhões em caixa, dos quais US$ 180 milhões servirão para pagar compromissos passados. O financiamento da operadora vem principalmente da própria Hughes. Outras condições também precisam ser cumpridas para o sucesso do plano: 1)crescer com baixo custo de aquisição, 2) encontrar boa disponibilidade de crédito, 3) contar com programação local de qualidade e custo razoável, 4) estabalidade política, econômica e regulatória nos países em que a DLA opera, entre outras condições. Se tudo der certo, a empresa quer chegar a 2 milhões de assinantes em 2005, quando atingiria o break even. A receita total passa de US$ 628 milhões ao ano atuais para US$ 1,355 bilhão em 2008, pelas projeções da empresa, e o churn anual cai de 36% atuais para 22% já a partir de 2005. A base total de assinantes da DirecTV Latin America passa, pelo business plan apresentado, de 1,5 milhão de clientes atuais para 1,63 milhão em 2004 e 3 milhões em 2008.
Atualmente, a DirecTV no Brasil é a maior operação da DLA, com 403 mil assinantes, seguida da operação no México (257 mil), Argentina (250 mil), Venezuela (236 mil), Porto Rico (157 mil), Colômbia (43 mil) e demais países on de a soma é de 113 mil assinantes.

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