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Programação
Distribuição é a principal polêmica entre programadores
quarta-feira, 13 de agosto de 2008 , 12h43 | POR FERNANDO LAUTERJUNG

O aumento de ofertas de canais de TV paga continua e durante a edição deste ano da ABTA mostrou-se intensa como há muitos anos não se via (com cinco canais oficialmente lançados e pelo menos mais cinco pré-anunciados). Mas a dificuldade de dar distribuição a todos é um dos desafios colocados nos debates do encontro. Programadores debateram no painel de abertura do terceiro e último dia da ABTA 2008 a fila para a entrada de novos canais. "Vários players são analógicos, o que dificulta a abertura de espaço para novos canais", disse Paulo Martins, presidente da NeoTV. Para os programadores a disputa por conteúdo cresceria com o aumento da concorrência na operação de TV por assinatura. "A Band entrou no mercado em um momento de disputa Sky e DirecTV e entre a TVA e a Net em São Paulo", disse Paulo Saad, vice-presidente do Grupo Bandeirantes, apostando que a possibilidade de crescimento só viria com o aumento da concorrência. André Mantovani, diretor geral dos Canais Abril, acusou a dificuldade que vem encontrando para distribuir seus canais. "Crescer, para mim, é com o acesso à distribuição, que não tenho, pela Net e Sky", disse. "Disseram que cheguei agora, tenho que esperar um pouco", afirmou. A "fila", para ele, é mais longa, porque produz conteúdo nacional. "Lançamos o Ideal quase simultaneamente do HSM. Ele já está distribuído na Sky e nós não".
"A questão da fila tem que ser respondida também pelo Paulo Martins, por exemplo. A NeoTV foi criada sob forte influência da Abril e, mesmo assim, os canais do grupo têm distribuição incipiente nas associadas", disse Alberto Pecegueiro, da Globosat. Martins explicou que a TVA não está entre as sócias fundadoras da associação e que as associadas têm liberdade para escolher os canais, não havendo uma imposição da associação. "A fila passa pela questão tecnológica", disse. Afirmou ainda que sua operação, a Viacabo, não carrega os canais da Abril por esta razão.
Contudo, Pecegueiro confirmou que a fila existe, mesmo para ele. "Tenho o SporTV Clássicos esperando espaço para ser lançado". A este noticiário, Pecegueiro explicou que se trata de um canal com os melhores momentos do esporte. Além disso, segundo o executivo da Globosat, está na fila o Multishow 2, que terá a exibição de videoclipes. Vale lembrar, a Globosat lançou recentemente o canal Megapix, já com distribuição na Net, e anunciou o lançamento para breve do Telecine Pipoca 2.
Outra programadora que está na fila é a Fox. Segundo Gustavo Leme, diretor geral para o Brasil da programadora, embora alguns canais da programadora estejam consolidados – como o Fox, o National Geographic e, mais recentemente, o FX – outros, segundo ele, ainda buscam uma distribuição mais expressiva, como o Fox Life. Por fim, há ainda canais "prontos para distribuição no Brasil", sem qualquer distribuição, como o National Geographic Music.
André Mantovani, mesmo com a dificuldade de distribuição, confirmou a este noticiário que mantém a agenda de lançamentos ousada de novos canais da Abril. Além do Ideal e o Fiz TV, já lançados, a programadora lançará um canal este ano e outros dois no segundo semestre de 2009.

Classe C

O painel apontou também o crescimento da base de assinantes junto à classe C como a solução para o crescimento. Para isso, os p~róprios programadores dizem ser necessário rever a política de preços. "Há espaço para crescimento, inclusive com novos canais, desde que apoiando os pacotes para a classe C", afirmou Gustavo Leme, da Fox. Segundo ele, a iniciativa de dublar o conteúdo do canal faz parte de uma estratégia para atingir este mercado. "Há pacotes cada vez mais acessíveis, provocando uma renegociação na cadeia. No futuro, a gente vai trabalhar volume, ao invés de preço", apostou Saab, da Band.
Alberto Pecegueiro apontou que no mercado internacional, mais especificamente Estados Unidos e Argentina, as operações trabalham com custo de 25% para programação. "No Brasil, o custo de programação chegou a 40%", disse. Para ele, com o ganho de escala, as programadoras começam a renegociar.
Para "fechar a conta", as programadoras terão de aumentar o faturamento publicitário, diz Leme. "Mas só é possível com o ganho de escala".
Em nome dos operadores, Paulo Martins, da NeoTV, concordou com os programadores. "Para atingir a classe C, temos qeu rediscutir o empacotamento".
Em conversa com jornalistas após o painel, André Mantovani acusou a venda em pacote da Globosat, imposta pelo Cade, como a grande culpada pelo alto custo dos pacotes básicos. Segundo ele, um pacote de entrada custa entre R$ 80 e R$ 90, quando o ideal seria R$ 40. Mantovani diz que os operadores precisam colocar o canal esportivo da Globosat, o SporTV, no canal básico para atrair a classe C. Mas, pela imposição do Cade, precisam carregar também os outros canais da programadora. "A eliminação desta obrigatoriedade faria diferença na queda dos preços para o assinante", disse.

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