Comunicação
14/01/2004, 17:52

Band sugere contrapartidas contra fortalecimento da News

POR SAMUEL POSSEBON

O presidente do Grupo Bandeirantes, Johnny Saad, manifestou-se preocupado em relação à possibilidade de fortalecimento de grupos de comunicação estrangeiros no Brasil. Em entrevista à revista PAY-TV que circula no final deste mês, Saad referiu-se à compra da Hughes pela News Corp. como um caso preocupante em que o governo deve ficar atento e buscar contrapartidas para a aprovação. Uma das idéias manifestadas por Johnny Saad é que o governo busque garantias de que o conteúdo brasileiro tenha acesso aos meios de distribuição dos grupos, que são controladores de DirecTV e Sky, respectivamente. A Bandeirantes não nega, também, que a crise na DirecTV Latin America tenha atrapalhado momentaneamente os planos de expansão de seus canais para a América Latina. Hoje o grupo produz o BandNews e o BandSports, e desenvolve um canal para a América Latina com conteúdo específico, em espanhol, eventualmente buscando até parceiros locais em outros países. A parceria com a DirecTV permitiria a viabilização da distribuição deste canal, assim como aconteceu com os dois canais desenvolvidos para o Brasil. Essa negociação ficou mais complicada com o processo de reestruturação pelo Chapter 11 pelo qual passa a DirecTV Latin America. E pode ficar pior. Na hipótese de uma fusão entre Sky e DirecTV (alternativa que não pode ser descartada depois que as autoridades norte-americanas liberaram a compra da Hughes pela News), a Bandeirantes pode ter problemas, já que o grupo News tem produção própria de conteúdo e o grupo Globo, parceiro tradicional de Rupert Murdoch, deve manter posição de destaque entre os fornecedores de conteúdo da Sky. Johnny Saad não afirma textualmente, mas não esconde que essa hipótese traria ainda mais dificuldades para os planos de expansão internacional de seus canais.

Interesse nacional

Não são só grupos de mídia privados, como a Bandeirantes, que teriam interesse em condicionar a aprovação da compra da Hughes pela News e uma eventual fusão entre DirecTV e Sky a garantias de acesso aos meios de distribuição (no Brasil e na América Latina) da mega-operadora a ser formada. Outros analistas consideram que o próprio governo brasileiro, que tem interesse de fomentar o desenvolvimento de canais nacionais (e trabalha até no desenvolvimento de um projeto próprio, voltado para a divulgação do país no exterior) poderia manifestar esse interesse às empresas. Seria uma forma de levar o que é feito no Brasil ao resto no mundo.
A Globo também tem essa preocupação, e já faz parte das conversas sobre o reposicionamento do grupo dentro da Sky (a participação da família Marinho está sendo revista, para baixo) a inclusão de garantias de que seu conteúdo terá certeza de distribuição.
O medo de todos, ao que tudo indica, é um só: que Rupert Murdoch e sua News Corp., cada vez mais fortes na produção e na distribuição de conteúdo em todo o mundo, representem ameaças ou imponham limitações para os grupos de comunicação e para a produção audiovisual nacional.

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