Mercado
16/12/2003, 19:40

Três credores recorreram ao Chapter 11 contra Globopar nos EUA

POR RUBENS GLASBERG

WRH Global Securities Pooled Trust, GMAM Investment Funds Trust I e Foundation for Research são os três credores da Globopar (Globo Comunicações e Participações S.A.) que entraram no dia 11 de dezembro, quinta-feira passada, com uma petição (involuntary petition) baseada no Chapter 11, da Lei de Falências norte-americana, contra a holding da família Marinho. O equivalente no Brasil seria um pedido de concordata preventiva feito por terceiro. A primeira empresa se diz credora de US$ 63,6 milhões, a segunda de US$ 30,5 milhões e a terceira de US$ 175 mil, perfazendo um total de US$ 94,3 milhões.
A petição deu entrada na United States Bankruptcy Court ? Southern District of New York. Os credores são representados pelo escritório de advocacia Fried, Frank, Harris, Shriver & Jacobson. Os dois principais peticionários se declaram portadores de títulos da Globopar que começaram a adquirir no mercado a partir de 1998, com forte deságio. O WRH, por exemplo, começou adquirindo um primeiro lote por US$ 732 mil com valor de face de US$ 1,17 milhão. Já o menor dos credores, a Foundation for Research, se apresenta como uma instituição de caridade, de Nevada, que começou a comprar os títulos a partir de 2001.

Posição da Globopar

"São, na verdade, três fundos de um mesmo gestor de investimentos, o Huff". A explicação é dada por Ronnie Vaz Moreira, presidente da Globopar, após sair de uma reunião com credores, em São Paulo, na tarde desta terça-feira, dia 16. O executivo que viaja amanhã para Nova York, onde terá outro encontro com credores, acrescenta que o Huff faz parte do comitê de bondholders da Globopar. Ele lamenta a decisão que não considera "construtiva para o processo". À Folha de S. Paulo, que publicou no sábado, 13, notícia sobre o recurso do Huff W.R. nos EUA, Moreira disse ainda que a ação não terá repercussões no Brasil. Destaca ainda que esse gestor de recursos é conhecido no mercado por esse tipo de conduta nos negócios. Os peticionários, por sua vez, em suas iniciais, garantem textualmente que "Petitioner did not purchase the Notes for the purpose of commencing this case under the Bankruptcy Code", ou seja, não compraram os papéis já pensando em recorrer à legislação de falência dos EUA. Segundo Vaz Moreira, os advogados da Globopar garantem que a petição tem erros processuais e problemas no mérito. A Globopar terá 20 dias para se pronunciar na Justiça de Nova York depois de receber a notificação que foi remetida ontem pelo correio. Depois, provavelmente, o juiz marcará uma audiência.

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