Mipcom
18/10/2005, 16:25

Gil: agência para o audiovisual virá com o tempo

POR ANDRÉ MERMELSTEIN, DE CANNES, FRANÇA

O ministro da Cultura, Gilberto Gil, afirmou hoje em Cannes, França, onde participa do Mipcom, que a idéia de uma agência única para regular a mídia e as comunicações não está descartada, e que apesar da resistência de alguns grupos, o próprio mercado ?em dois, três ou cinco anos?, vai perceber a necessidade de um órgão que funcione desta maneira.
Em entrevista à imprensa internacional, Gil disse que a idéia da agência única, bem como da Lei Geral de Comunicação, gera divisões, e que os atores dos velhos modelos querem manter o status quo. ?Mas em alguns anos teremos um tamanho desenvolvimento no audivisual brasileiro que todos teremos que ir para esse caminho. Quando se vir que os grandes grupos internacionais poderão sufocar os grupos locais, a agência será uma realidade?, concluiu. A este noticiário, Gil afirmou que tanto a agência quanto a lei de comunicação seguem em discussão no governo, em um grupo formado pelo MinC, Casa Civil e Comunicações, apesar das recentes informações dando conta de que o projeto estaria sendo ?engavetado?.
Segundo Orlando Senna, secretário do Audiovisual do MinC, o Brasil é um país aberto, e a nova lei pretende manter esta abertura perante o conteúdo vindo de outros países, mas também estimular a presença internacional do conteúdo brasileiro.
O presidente da ABPI-TV, Marco Altberg, lembrou que a TV aberta, ao contrário da TV por assinatura, não é regulamentada por lei no Brasil, como acontece em outros países, sendo regida apenas por princípios constitucionais muito amplos. ?Estamos construindo uma democracia no País, e isso passa pela TV?, disse.

Mal compreendido

Em seguida à entrevista, em sua participação no painel sobre o mercado brasileiro, Gil voltou ao tema e fez em público a defesa do malogrado projeto de criação da Ancinav: "Fomos acusados de dirigismo. Por falta de aprofundamento, análise e visão. O futuro recuperará a nossa iniciativa junto à sociedade brasileira", afirmou.
Gil também destacou a importância de se aproveitar um fórum de negócios como é a feira do Mipcom para que se discuta a dimensão conceitual da produção. Mas ele lembra que "o mercado comercial não dá conta dos desafios existentes". Segundo Gil, o Brasil passa por um reposicionamento, e parte da política do Ministério da Cultura para a TV e cinema é dar apoio à exportaçao – Gil lembrou que se tratam de programas que passam por vários ministérios.
Embora seu discurso tenha salientado que o Minc insiste nas abordagens entre cultura e desenvolvimento, o ministro lembro que o parque produtor brasileiro ainda se concentra em '"cinco ou seis grandes estruturas".

Produção independente

Foi a primeira vez que um ministro brasileiro prestigiou com sua presença um evento como o Mipcom, mercado mundial de programação de televisão. A presença tem grande significado simbólico, refletido nas declarações de Gil. ?É a primeira vez que um governo (brasileiro) está atento a isso (produção de TV), e criando políticas públicas nessa área, unindo todos os envolvidos?, disse o ministro. E completou: ?Na TV brasileira é pouco clara a diferença do papel do produtor e do distribuidor na TV comercial, e o ambiente e o momento são próprios para começar a mudar isso?, concluiu.
O MinC é um dos parceiros e principais patrocinadores do projeto de exportação de produção televisiva capitaneado pela ABPI-TV.

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