Mipcom
18/10/2005, 15:09

Painel reúne governo, TVs e produtores independentes

POR EDIANEZ PARENTE, DE CANNES, FRANÇA

A seção especial dedicada à produção audiovisual nacional realizada nesta terça, dia 18, no Mipcom, atraiu na platéia, em sua maioria, os profissionais brasileiros presentes no evento e também boa parte dos executivos de empresas com interesses e negócios na TV do País. Representantes de todas as grandes redes nacionais – com exceção do SBT, que não participa do evento este ano – assistiram as apresentações da Secretaria do Audiovisual, da Rede Globo, Rede Record, Abepec (a associação brasileira das emissoras públicas e educativas), ABPI-TV e Ancine, com encerramento do ministro da Cultura, Gilberto Gil.
Orlando Senna, secretário do Audiovisual, abriu a sessão lembrando que "o Brasil sabe fazer TV, o que está provado através de suas telenovelas e minisséries". Ele afirmou que o mercado audiovisual brasileiro pode ser dez vezes maior do que seu tamanho atual, "e é neste sentido que trabalha o governo, na elaboração de políticas públicas, e atuando para que os produtores nacionais trabalhem em sinergia com países de língua portuguesa".
Pela Globo, falou Ricardo Scalamandré, diretor de negócios internacionais da emissora, que enumerou alguns exemplos do impacto cultural que as produções da casa provocam nos países para onde a Globo exporta.
Alexandre Raposo, presidente da Rede Record, destacou que a emissora já se faz presente em 80 países através de seu sinal internacional, e que se mirou no exemplo da Globo para buscar o crescimento: com investimentos em teledramaturgia. "A Record já é o segundo maior produtor de novelas do Brasil e é por isso que estamos criando um grande centro de produção", afirmou.
Jorge da Cunha Lima, pela Abepec, elencou o que diferencia a TV pública brasileira dos demais tipos de televisão que se faz no País: a TV comercial e a estatal (como as legislativas, por exemplo). Segundo ele, a TV pública pode ter idéias que não cabem nas demais.
Ele disse que o mercado internacional "vai se cansar de ver sempre o mesmo em todos os lugares". Daí, segundo ele, cabe à TV pública cumprir o papel da busca pela diversidade e pela identidade cultural. "O primeiro governo que compreendeu a política cultural da comunicação foi o que tem Gilberto Gil como ministro", finalizou.

Independentes

O presidente da ABPI-TV, Marco Altberg, lembrou que o modelo de televisão no Brasil é verticalizado, ou seja, a TV produz quase todo o conteúdo que exibe, o que deixa pouco espaço para outros desenvolvedores de produção. Ele elencou as características que fazem do Brasil um bom lugar para se produzir, como a diversidade étnica, cultural e de locações, a qualidade da mão-de-obra e os custos relativamente baixos, além da legislação favorável e dos incentivos fiscais.
Segundo Altberg, o projeto de produção internacional da ABPI-TV, que previa gerar receitas de US$ 6 milhões em dois anos, conseguiu fazer US$ 8,9 milhões apenas no primeiro ano.

Cinema

O presidente da Ancine, Gustavo Dahl, lembrou que o cinema é "o vértice da pirâmide do audiovisual, cuja base é a TV", e observou que em países como os EUA, a bilheteria representa apenas cerca de 16% da receita de um filme hoje.
Segundo Dahl, os mecanismos de incentivo já injetaram, em dez anos, cerca de US$ 650 milhões na atividade. Hoje, afirmou, há cerca de cem títulos em produção no Brasil, inclusive documentários.

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