Mercado
18/12/2015, 19:15

Produtoras projetam crescimento de dois dígitos em 2016

O ano de 2015 não foi necessariamente ruim para as produtoras de audiovisual. O mercado para conteúdo vem crescendo, impulsionado pelas cotas de programação criadas pela Lei do SeAC e pela oferta de recursos através do Fundo Setorial do Audiovisual e de mecanismos de incentivo fiscal. Se, por um lado, a crise mexe no volume e nos orçamentos dos filmes de 30 segundos para publicidade, agências e marcas vem apostando mais em filmes para meios digitais. Além disso, as produtoras brasileiras ganharam mais competitividade no mercado internacional, com a flutuação do câmbio favorável para a exportação e uma valorização do talento nacional.

A Sentimental Filme está entre as que conseguiram crescer em 2015 e projeta uma aceleração para o próximo ano. Segundo Marcos Araújo, um dos sócios da casa, a produtora passou por uma reestruturação no final de 2014 que contribuiu para enfrentar de maneira positiva o ano turbulento. "Acabamos tendo um ano satisfatório. Batemos a meta, mas é um ano menor em termos de potencial de trabalho", conta. O crescimento da empresa neste ano foi de 20% e a projeção para 2016 é de 30%.

A Sentimental passou por uma reformulação no quadro de diretores de cena, além de uma mudança societária. A área de publicidade, conta Araújo, continua como principal negócio, porém sem mais o protagonismo de antes – embora ainda responda por 90% do faturamento. A área de conteúdo, por sua vez, ganhou relevância e passou por um processo de planejamento e desenvolvimento. Uma das estratégias foi apoiar a empresa em três pilares e trazer executivos de peso para comandar cada uma dessas áreas. Felipe Cama, Sergio Sá Leitão e Emerson de Morais chegaram para as três principais áreas de atuação da empresa, respectivamente, publicidade, cinema e TV.

A expectativa é que a balança comece a variar para o lado do conteúdo já em 2016. A meta em médio prazo é que faturamento chegue a uma proporção de 70% e 30% para publicidade e entretenimento, respectivamente. "No planejamento, incrementamos a área de conteúdo, tanto TV quanto cinema. Conseguimos usar 2015 para concluir esse processo e começamos 2016 já com duas produções de séries contratados e um longa para ser rodado até o final do ano", conta Araújo.

Estão programadas duas novas séries: "Lendas Urbanas", na Rede Record; e "Eu Me Movo", no SporTV. No cinema, será a estreia do primeiro longa-metragem de ficção da produtora, já acordado com uma distribuidora e em parceria com o Canal Brasil.

Além disso, a produtora trabalha em outras frentes, formando uma carteira de projetos. "Montamos uma carteira diversificada em TV ficção e não-ficção e em longa-metragem. Temos projetos para seguir muitos anos trabalhando", completa.

Internacional

A Hungry Man também vem de um ano bom com expectativa de crescimento em 2016, apostando mais em conteúdo. O diferencial, no entanto, é a expectativa de um crescimento ainda mais acentuado na produção para agências e anunciantes estrangeiros.

Em 2015, a produtora cresceu 19%, em um mix de mercado local e exportação, conta Alex Mehedff, managing partner da produtora no Brasil. "O câmbio favorece a exportação. A política americana de juros acaba jogando o câmbio dos países em desenvolvimento para baixo", explica.

O executivo aponta uma mudança no perfil das produções internacionais no Brasil. Segundo Mehedff, hoje não se faz apenas o serviço de produção, com os talentos contratados fora. "Um filme brasileiro foi vencedor do grand prix em Cannes (criado pela F/Nazca Saatchi & Saatchi para a Leica, foi produzido pela Stink e dirigido pela dupla Jones+Tino). As agências internacionais começam a olhar para a produção brasileira não apenas como serviço, mas também para a contratação de talentos, o que valoriza o mercado nacional, inclusive internamente", explica. "Este ano, já produzimos, com um dos nossos diretores do Brasil, uma campanha global para JWT-NY que teve nove diárias em São Paulo", conclui Mehedff.

Para TV e cinema, estão programadas duas novas séries: "Os Terminadores" (Band e TNT) e "Procurando o Casseta e Planeta" (Multishow), ambos com direção de Gualter Pupo. E para cinema, estão planejados dois longas: "Foro Íntimo", o primeiro trabalho de longa-metragem do diretor Ricardo Mehedff, que será filmando dentro do fórum de Belo Horizonte, durante recesso de final de ano como cenário único; e "O Rastro", que também será a estreia de João Caetano Feyer no comando das câmera no formato de longa-metragem para cinema.

Para Mehedff, o aumento do volume de produções para canais de TV é um caminho sem volta. Contar com produtores independentes, explica, se tornou estratégico. "As emissoras veem nesse tipo de produção uma forma de ter conteúdo com um investimento menor, podendo contar com recursos incentivados ou do Fundo Setorial Audiovisual", finaliza.

Mix

Para Renata Dumont, produtora executiva da Delicatessen, o que deve ajudar a produtora a alcançar a meta de crescer 20% em 2016 é o mix de atuação e, principalmente, a percepção, por parte de anunciantes e agências, de que é possível contratar uma produtora para atuar em diferentes frentes.

Segundo Renata, a Delicatessen enfrentou uma redução de 10% no faturamento em 2015 e vinha de um ano que não cumpriu suas promessas. "Em 2014 tínhamos expectativa de ter um volume maior de produção por causa da Copa, o que não aconteceu, e a crise de 2015 não ajudou. Mas apesar dessa redução, estamos fechando o ano bem. A crise nos deixa mais atentos ao aumento da competitividade do mercado, a redução nas verbas dos projetos e aos prazos estendidos de pagamento", ressalta Renata. Com nove anos de existência, a produtora sofreu a sua primeira queda.

A Delicatessen também atua com três braços: publicidade, digital e conteúdo. "O digital é um braço que trabalha muito em projetos de tecnologia, mais voltados para a Internet, mas sem fazer filmes da web", conta. Essa área vem despertando interesse de anunciantes, que acabam reduzindo o orçamento com compra de mídia e podem investir em filmes mais elaborados, sem estarem presos aos 30 segundos. "Os anunciantes começam a buscar uma forma de gastar melhor o dinheiro", diz.

A área de conteúdo vem crescendo também na Delicatessen. A produtora está gravando pilotos de dois projetos para TV. Em 2015, realizou a série de 13 episódios "Estudio 360º", para o canal Sony, com previsão de estreia em 2016.

"Precisamos mostrar melhor ao mercado que somos isso tudo, e não uma coisa ou outra – nem só os 30 segundos e nem só o digital. Somos uma opção mais forte e é possível trabalhar como um todo nas três áreas", diz Renata.

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