Mercado
20/02/2004, 13:07

Globo se livra do pedido de Chapter 11 em Nova York

POR REDAÇÃO

A Bankruptcy Court de Nova York negou na quinta-feira, 19, o pedido dos três fundos que queriam que o processo de reestruturação da dívida da Globopar passasse pelo Chapter 11 da legislação de falências dos EUA. A juíza Prudence Beatty, segundo informações do jornal The New York Times, alegou falta de abrangência no pedido e acatou a argumentação da Globopar de que a questão não deveria ser resolvida pela Justiça dos EUA. Ela também entendeu como válidos o argumento do grupo Globo de que não há ativos nos EUA para sustentar tal pedido e que é improvável que a Justiça brasileira libere ativos no Brasil para compensar uma eventual ação nos EUA. Ainda segundo o periódico norte-americano, a juíza não reconheceu os três fundos como pleiteantes legítimos de um pedido de Chapter 11, considerado por ela "uma forma terrível de cobrar dívidas".
Segundo informações de mercado, o grupo Globo assegurou aos seus credores que apresentará uma versão atualizada do business plan no início de março. Esse é um dos compromissos que os credores exigiram que fossem cumpridos rapidamente para que as negociações assumissem um curso mais produtivo, segundo cartas enviadas à Globopar em janeiro. Os credores também querem que o grupo Globo mostre que critérios de governança corporativa serão adotados, quais os percentuais que caberão aos credores em uma nova entidade que reunirá provavelmente TV Globo e Globopar, o valor e a origem de novos aportes na companhia, clareza com relação à participação do grupo na Net Serviços e na Sky após a reestruturação destas duas empresas, um novo pacote de medidas de contenção de custos, prazos mais razoáveis de alongamento de dívida e melhores taxas de juros. Querem, enfim, uma proposta mais detalhada do que aquela que foi apresentada pela Globopar em dezembro.
Os fundos que recorreram à Justiça de Nova York eram de alguma forma ligados, segundo a Globopar, a um gestor chamado W.R. Huff. Ainda segundo o grupo Globo, era um grupo de fundos "abutre", que compra papéis de empresas em moratória ou em dificuldade para tentar conseguir condições mais vantajosas de negociação. O W.R. Huff é parte do comitê de credores composto por bondholders criado para negociar com a Globopar. Ao todo, os três fundos ligados ao Huff reclamam o pagamento de US$ 94 milhões em bonds.

BNDES

As dificuldades vividas pela Globopar com os fundos "abutre" nos EUA e a complexa negociação com os comitês de credores coincide com o momento em que os debates sobre a ajuda do BNDES aos grupos de comunicação tornam-se cada vez mais acalorados.
A Record manifestou abertamente seu descontentamento com a forma como a questão está sendo cunduzida. Quer que o BNDES não permita o uso do dinheiro para o pagamento de dívidas e, nesse sentido, inclusive anunciou seu rompimento com a Abert, que conduz oficialmente as negociações. A posição da Record é ratificada, segundo fontes de mercado, em maior ou menor grau pelo SBT e pela RedeTV!. As redes querem aproveitar a oportunidade de investimento para crescer e, eventualmente, ocupar espaço da Globo.
A rede Bandeirantes também já manifestou abertamente que prefere que os recursos priorizem investimentos futuros das empresas de comunicação.
Carlos Lessa, presidente do BNDES, manifestou nos últimos dias seu desconforto em relação a essas diferenças de posição dentro dos grupos. Chegou inclusive a dizer que essa questão, provavelmente, terá que ser discutida pelo Congresso. Por outro lado, colocou-se favorável à tese de que o empréstimo, se vier, deve priorizar grupos que produzam conteúdo nacional, que priorizem a dramaturgia e o jornalismo brasileiro. A Globo está em aberta campanha pública que visa justamente ressaltar seus esforços em favor do conteúdo e da produção nacional.
Já o ministro Luiz Gushiken, da Secom, não tem dado declarações públicas, mas no passado também mostrou-se favorável a um apoio prioritário a quem prioriza o conteúdo nacional.

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