Maxi Mídia 2005
20/10/2005, 18:20

Bandeirantes volta a reivindicar espaço na TV paga

POR DANIELE FREDERICO

A distribuição de conteúdo, especialmente pela TV por assinatura, foi um dos pontos mais polêmicos do debate ?A mídia do futuro e o futuro da mídia no Brasil?, realizado durante o Maxi Mídia 2005. Johnny Saad, presidente do grupo Bandeirantes e da ABRA, Associação Brasileira dos Radiodifusores, afirmou que um dos principais problemas de escoamento da produção é a estrutura de monopólio do satélite e do cabo, que distorcem o mercado. ?Precisamos de equilíbro na produção nacional e internacional, além de criar espaços para que ela possa circular", afirmou.
Nelson Sirotsky, presidente da ANJ, Associação Nacional de Jornais, e do Grupo RBS, discordou de Saad, ao dizer que o modelo de TV satelital não é o inibidor do processo de produção de conteúdo, e que os programas de qualidade conseguem chegar à TV aberta e à TV por assinatura.
O presidente do grupo RBS disse ainda que as fusões de grupos de TV por assinatura não representam um monopólio de distribuição de conteúdo, ainda que as discussões sobre o modelo sejam necessárias. ?Acredito na multiplicidade de conteúdos?, disse.
Saad rebateu, dizendo que existem distorções na distribuição de verbas, e que hoje não é possível para outros grupos criarem canais e os colocarem no cabo. ?Isso se intensifica à medida que sai das mãos dos brasileiros e vai para grupos estrangeiros?, disse o presidente da Band. Sirotsky também demostrou a sua preocupação com a internacionalização das empresas de telecomunicação, satélite, cabo e MMDS.
Saad afirmou ainda que a distorção vai acabar com a TV aberta a longo prazo, já quer esta vive exclusivamente de publicidade e não pode contar com os ganhos com assinatura. ?Desse jeito vamos sair do mercado de produção?, alertou.

Convergência

Sobre a convergência de TV e celular, Saad acredita que em termos de tecnologia ela pode acontecer mas, enquanto negócio, uma coisa não se relaciona à outra, já que a radiodifusão é gratuita, e a telefonia é paga. ?Não adianta ir atrás de tecnologia. Parecemos índios atrás de espelhinhos?, disse.

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