Cable 2012
21/05/2012, 20:05

Modelo sustentável de TV paga depende de assinaturas e publicidade, diz Time Warner Cable

POR SAMUEL POSSEBON, DE BOSTON

O  clima aparentemente amistoso entre programadores e operadores de TV por assinatura na abertura da Cable 2012, principal evento de TV por assinatura dos EUA que acontece esta semana em Boston, tem uma razão: os dois setores constataram que não adianta mais brigar contra novas tecnologias e plataformas de entrega de conteúdo, mas ao mesmo tempo não é possível abandonar modelos de negócios consagradas em troca de modelos incertos.
A discussão sobre modelos sustentáveis de viabilização dos conteúdos surgiu quando se discutiu, no painel de abertura do evento, as recentes iniciativas da Dish Networks (terceira maior operadora de TV paga dos EUA, que opera via satélite) de acrescentar aos seus set-tops a funcionalidade de pular os comerciais. O recurso, que existe, potencialmente, desde o advento dos DVRs, há  mais de uma década, gera discussões há muito tempo, mas estava relativamente pacificado, desde que os programadores pediram para que ele não fosse incorporado aos set-tops. Mas o problema voltou à baila nas últimas semanas quando a Dish passou a adotar o recurso de "ad hop" às suas caixas como estratégia de pressionar os programadores por custos menores de programação.

"Charles (Ergen) é um distribuidor de conteúdo e precisa do nosso conteúdo. Mas precisamos preservar o negócio, continuar investindo. Penso que ele conseguiu manchetes, mas no fim não vai funcionar se não trabalharmos juntos", disse David Zaslav, CEO da Discovery, em referência ao controlador da Dish, Charles Ergen. "Precisamos das receitas de assinantes  e da publicidade para manter nosso modelo. Os set-tops são apenas dispositivos sem o conteúdo. E nós só vamos colocar nossos conteúdos em plataformas sustentáveis economicamente", disse.

Para Glenn Britt, CEO da Time Warner Cable, "as novas tecnologias podem fazer as coisas melhores, como as alternativas não lineares, cloud, mas as receitas de assinatura e publicidade têm sido boas para a indústria e ninguém quer destruir essas receitas", disse, criticando a concorrente Dish. "Se você reduzir as receitas geradas, ou as assinaturas ficarão mais caras ou teremos menos conteúdos, e nenhuma dessas alternativas é boa para o usuário", disse.

Para Britt, por mais que se diga que as novas plataformas de entrega de vídeo são importantes, elas ainda deverão levar muito tempo para mudar o paradigma atual da indústria. "Hoje 93% dos lares (nos EUA) têm TV por assinatura. Isso gera 400 minutos de audiência combinada por mês. Não se muda essa realidade de uma hora para outra", disse Britt. Mesmo Zaslav, da Discovery, acrescentou que para os programadores, os modelos alternativos de TV por assinatura, como as plataformas de TV everywhere, são muito mais interessantes do que, por exemplo, o NetFlix, porque permitem a venda de publicidade.

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