Case
21/05/2015, 19:45

Projeto "Território do Brincar" registrou diversidade de brincadeiras infantis no Brasil

Em uma viagem de quase dois anos, entre abril de 2012 e dezembro de 2013, os documentaristas Renata Meirelles e David Reeks, acompanhados de seus filhos, uma assistente e duas câmeras, percorreram o Brasil visitando comunidades rurais, indígenas, quilombolas, grandes metrópoles, sertão e litoral. No trajeto, registraram em filmes, fotos, textos e áudios brincadeiras de crianças para o projeto "Território do Brincar", que tem um objetivo ambicioso: produzir um retrato do brincar e seus diferentes significados em todo o território nacional.

No final deste mês de maio, chega aos cinemas o documentário longa-metragem "Território do Brincar", fruto do projeto e realizado em parceria com a Maria Farinha Filmes, produtora ligada ao Instituto Alana, que se dedica à proteção da infância. O documentário traz imagens de brincadeiras registradas ao longo da viagem.

Além disso, o extenso material colhido será utilizado na produção de dois livros e duas séries infantis para a TV. Uma exposição itinerante viajará pelo Brasil para levar as imagens captadas a escolas, festivais e praças.

Produção e distribuição

"Território do Brincar" foi realizado com financiamento do Instututo Alana e em parceria com a Maria Farinha Filmes, produtora do instituto. "Desde que começamos a desenvolver o projeto até o lançamento do longa passaram-se quase quatro anos", conta Marcos Nisti, vice-presidente do Instituto Alana e responsável pela produção. "A ideia foi produzir um retrato do brincar da forma mais pura e sincera possível. Inclusive, não há presença de adultos, especialistas e estudiosos. Todo o filme são crianças brincando e se expressando ao longo de quase 90 minutos", conta.

Quase todas as imagens da produção foram capturadas pelo casal viajante. A produtora providenciou o apoio de mais profissionais em datas especiais com festas e grandes eventos. "90% são imagens do David, só em alguns poucos momentos chamamos apoio. Ao longo de 21 meses de viagem, conseguimos muito material, mais de 300 horas de filmagem – editar tudo isso foi um grande desafio", conta Nisti.

Segundo Nisti, a intenção da Maria Farinha é, após deixar o cinema, explorar principalmente as plataformas digitais. A proposta inclui disponibilizar o longa para exibições públicas gratuitas por meio do Videocamp, plataforma desenvolvida pelo Instituto Alana que reúne produções que abordam causas relevantes para a sociedade. "A ideia é explorar acordos com ferramentas de distribuição online, seguindo cases de produções anteriores da Maria Farinha que tiveram grande repercussão em plataformas como o Netflix. No Videocamp, iremos tornar o conteúdo disponível pra exibições públicas assim que deixar os cinemas", diz.

Projeto

Para Renata Meirelles, educadora e documentarista responsável pelo projeto, um dos principais desafios foi definir o roteiro da viagem. "O Brasil é um território imenso, do tamanho de um continente e com diferentes culturas, e representá-lo em um projeto é sempre desafiador. Buscamos representar ao máximo os diferentes biomas e regionalismos", conta. No total, a família passou por 19 municípios nos estados de Minas Gerais, Bahia, Pará, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Ceará.

Sempre que chegava a uma nova região, antes de filmar, o casal iniciava um processo de aproximação com as comunidades locais. "Não é fácil explicar para as pessoas como funciona o trabalho de pesquisadores de brincadeiras. Descobrimos que a melhor maneira de fazer isso é mostrar para eles nossos trabalhos anteriores. Assim que terminávamos as apresentações para a comunidade local, as crianças já começavam a trazer seus brinquedos e mostrar suas brincadeiras", diz David Reeks, documentarista e principal responsável pela captação de imagens do filme.

"Nós nos estabelecíamos nos locais e apresentávamos, com calma, como funcionavam os equipamentos, familiarizando todos com o processo de gravação", conta David. "Na hora da brincadeira em si, eu participava da atividade até o momento de ligar a câmera. Com a câmera ligada, era preciso estabelecer um distanciamento. É possível ver no filme que as crianças não estão atuando, e sim sendo elas mesmas de maneira muito natural e espontânea. Estão brincando, que é o que elas fazem de melhor".

Concluídas as gravações, o casal promoveu exibições públicas com parte do material bruto filmado em cada região. A ideia é levar o longa concluído para novas exibições nas comunidades que participaram do projeto.

Com o material colhido ao longo da viagem, a equipe de produção lançou uma série de vídeos curtos no site do projeto, e pretende produzir uma série para TV. "Ainda estamos pensando em qual seria o melhor canal para receber o projeto. Mas temos um material muito rico guardado. Seria possível fazer mais um longa com qualidade tão boa quanto o que estamos lançando", diz David.

"Queríamos mostrar a criança no momento em que ela é livre, fora do ambiente escolar e onde ela tem espaço para se expressar", explica Renata. "Percebemos que os adultos desaprenderam a ver a brincadeira da criança. O que mais ouvíamos eram pessoas dizendo que não haveria o que filmar, pois as crianças de hoje em dia naquela região não brincavam mais. Aceitamos o desafio e o resultado mostrou que a realidade é bem diferente", conclui a documentarista.

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