Broadcast & Cable 2005
21/09/2005, 18:28

Johnny Saad polariza debate contra grupo estrangeiro

POR REDAÇÃO

O presidente do Grupo Bandeirantes, Johnny Saad, centrou artilharia pesada contra grupos internacionais de mídia durante sua participação no seminário "Estratégias Empresarias para Mídia Eletrônica", no primeiro dia de congresso da SET 2005 – Broadcast & Cable, que começou nesta quarta-feira, 21, em São Paulo. Saad começou sua participação lembrando que há três casos em andamento no Cade em relação à TV por assinatura: o DTH (fusão da Sky e DirecTV), entrada da Telmex na Net e a questão dos direitos de futebol. "Já vimos que na Copa de 2002 houve dumping: foram pagos US$ 200 milhões e não houve receita para cobrir", disparou.
O diretor da Band teve como alvo a Sky, pertencente ao grupo multinacional News Corp., que estava representada na mesa de debates pelo presidente da operadora de DTH no brasil, Ricardo Miranda. Isso, mesmo com a Sky já comprando conteúdo da Band, uma vez que a operadora incluiu em agosto o novo canal do grupo no seu line-up, o canal de agro-business Terra Viva.

Conteúdo nacional

O presidente da Band quis saber detalhes de como a Sky se relaciona com a Net Brasil para a compra de produção brasileira. "Você comanda a compra de produção nacional?", questionou. Também quis saber se a DirecTV já estaria abandonada à própria sorte: "A DirecTV já está morrendo e na verdade a fusão já ocorre na prática?" quis saber. Ainda, Johnny Saad perguntou se na compra da DirecTV feita pela News Corp. nos Estados Unidos, a FCC (regulador norte-americano) impôs condições. Ao responder todas as questões, o executivo da Sky destacou que falava como integrante do corpo gerencial da empresa, e não do corpo de acionistas. Disse que o processo de compra da DirecTV pela News Corp. nos Estados Unidos e na América Latina se deu de formas distintas: enquanto no mercado doméstico norte-americano houve simplesmente uma aquisição (lá não havia a operação Sky, apenas DirecTV), em alguns países da América Latina houve fusão de operações. "No Brasil, a Sky não tem nenhum tipo de relacionamento comercial com a DirecTV. Com certeza se um assinante Sky ligar pra DirecTV, eles dão o equipamento de graça para ele trocar de operadora. As empresas continuam concorrendo entre si". Sobre a compra de canais locais, Miranda diz: "A Sky tem plena liberdade de compra de canais locais, mas não temos condições técnicas de atender a todos. A Net Brasil funciona como um agente. É uma prática de mercado". Ele disse ainda que a Sky não está fechada aos novos conteúdos nacionais, mas terá de fazer novos investimentos, pois já utiliza quase todos os transponders no satélite para alocar seus canais no line-up.
Ricardo Miranda disse ainda que a Sky tanto apóia o conteúdo nacional que ele mesmo apresentou o canal brasileiro TV Climatempo para a Sky do México, como uma opção em canal de meteorologia. "Mas a decisão de colocar o canal ou não no line-up é deles", salientou. Ele explicou que as operações de Brasil e México negociam em conjunto canais internacionais, para garantir escala.

Baixa penetração

Antes deste debate, Ricardo Miranda iniciara o seminário com uma apresentação sobre a situação do DTH no Brasil e no mundo, mostrando que a penetração desta tecnologia de TV por assinatura no País tem 2,8% – enquanto no cenário mundial, há países com share de 33%, como a Nova Zelândia. Ele disse que foram feitos grandes investimentos numa época em que se previa um mercado muito maior da TV por assinatura no Brasil. Ele trouxe as projeções feitas em 1995 pelo então PASTE (Programa de Recuperação e Ampliação dos Sistemas de Telecomunicações), pelo qual em 2000 o Brasil teria 10 milhões de assinantes de TV, número que cinco anos depois está em 3,8 milhões. "Esperamos que com um ganho de escala possa-se algum dia no futuro vir a recuperar os investimentos feitos", afirmou.

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