Audiovisual
22/06/2004, 20:32

Gil: casamento cinema/TV é difícil, mas essencial

POR REDAÇÃO

A audiência realizada nesta terça, 22, no Conselho de Comunicação Social, com o ministro da Cultura, Gilberto Gil, que serviria de "ato de compromisso com o cinema brasileiro", acabou se tornando em mais uma exposição da complicada relação entre cinema e TV no Brasil. Gilberto Gil fez questão de destacar em diferentes momentos de sua apresentação a importância da parceria com a televisão para que se desenvolva uma indústria audiovisual independente forte. Disse que a importância da regionalização da programação "não é apenas retórica" e destacou a importância do estabelecimento de um "marco regulatório para o setor audiovisual". Mas no final de sua apresentação, deixou transparecer detalhes da situação: "É essencial que consigamos resolver as pendências com a TV aberta. A criação da Ancinav é um primeiro passo, as cotas de telas e outras questões complicadas precisam ser retomadas. É preciso colocar contrapartidas para que o cinema tenha presença mais firme na TV aberta. Conversamos com todas as principais redes abertas, da Globo até a Record. São conversas difíceis, mas em todos os casos o empenho governamental de abordar a questão foi bem recebido", disse o ministro, que abriu sua exposição falando em um novo "contrato social" do setor audiovisual.

Regionalização polêmica

A audiência na Comissão de Comunicação foi particularmente recheada de críticas de alguns membros do CCS à Globo e à Abert. A conselheira Berenice Bezerra, ao cobrar o MinC sobre um postura mais incisiva em relação ao projeto de regionalização da deputada Jandira Feghali, cuja tramitação está parada no Senado, disse em tom exaltado que "não se pode deixar a dona Marluce, que não aceita a política de regionalização, queira fazer uma regionalização por dentro", declarou, em alusão à diretora da TV Globo Marluce Dias da Silva. Também criticou a ausência de Paulo Machado de Carvalho Neto, presidente da Abert e membro do Conselho de Comunicação Social, no debate com o ministro Gilberto Gil. "A ausência da Abert é significativa, pois a associação é contrária à regulamentação do artigo 221 da Constituição", disse Bezerra.
Paulo Cavalcanti, presidente do Conselho de Comunicação Social, saiu em defesa de Paulo Machado de Carvalho dizendo que não se pode deduzir que sua ausência naquela audiência signifique alguma coisa, "até porque outros conselheiros estão ausentes". De fato, Paulo Machado de Carvalho Neto estava ausente, participando do congresso de radiodifusão da associação em Belo Horizonte. "Mas a Abert não tem um substituto?", perguntou o ministro Gilberto Gil, para ao final de sua apresentação lamentar a ausência da associação no debate. "A ausência da Abert foi sentida sim, já que há muitas questões importantes pendentes. Faço um apelo para que ela esteja sempre presente nesse tipo de encontro", disse o ministro. Vale ressaltar que não só Paulo Machado de Carvalho Neto como também Emanuel Soares Carneiro, seu suplente no CCS, estavam comprometidos com os debates em Belo Horizonte, e dessa forma justificaram suas ausências.

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