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Operação
Net decide mexer em programação e pode vender ativos
segunda-feira, 22 de julho de 2002 , 20h09 | POR SAMUEL POSSEBON

A Net Serviços de Comunicação (ex-Globo Cabo) encerrou nesta segunda a rodada nacional do road show do seu processo de capitalização, com apresentação realizada em São Paulo. Agora, o CEO da companhia, Luiz Antônio Viana, e o CFO, Leonardo Pereira, seguem por uma semana para Londres e diversas cidades nos EUA. A despedida brasileira não podia ser pior. As ações da Net despencaram mais de 16% na Nasdaq e quase 20% na Bovespa em decorrência do maremoto causado pela quebra da WorldCom e de incertezas sobre o futuro da operadora. A verdade é que a Net não está anunciando os detalhes de seu plano de crescimento para não se comprometer com um cenário que pode dar errado em muitos aspectos. Mas, segundo apurou este noticiário, existe uma série de ações mais radicais do que as apresentadas por Viana no road show e que devem sair do papel em breve. São elas:

– Venda de ativos: a empresa já anunciou que pretende trocar operações em áreas onde não veja tanto interesse. Também está sendo comandada pessoalmente por Luiz Antônio Viana a possibilidade de venda de algumas destas operações.

– Mudança na programação: a Net definiu que no curto prazo seus contratos de programação em dólar serão revistos e estabelecidos em reais. Um dos diretores da empresa, Marco Aurélio Ferreira, tem como função prioritária rever as opções de empacotamento. O que a Net quer é levar produtos mais adequados para cada praça, deixando de tratá-las da mesma maneira. Vale lembrar que no prospecto de capitalização e no novo acordo de acionistas há duas observações interessantes (e pouco esclarecidas) a esse respeito: primeiro, o acordo de acionistas da MSO misteriosamente diz que se a Sky deixar de ser franqueada da Net Brasil, a Net (ex-Globo Cabo) também poderia abrir mão de seu contrato; depois, no prospecto de capitalização, um dos riscos elencados para o negócio é o fato de que se a Globopar deixar de ser acionista controladora da Net (o que provavelmente acontecerá), não há mais garantia de manutenção do contrato de exclusividade com a programação Globosat.

– A digitalização seletiva da rede será bancada nos próximos dois anos com dinheiro dos fornecedores e não deve onerar o caixa da Net. A primeira área a ser digitalizada será o Leblon, no Rio. Atualmente, a Net aguarda apenas o fim das negociações sobre o financiamento, pois as duas empresas fornecedoras (Motorola e Scientific Atlanta) fizeram propostas de caixa por menos de US$ 100.

– Terminada a fase de capitalização, a Net ainda espera poder lançar outros R$ 240 milhões em papéis de dívida com a ajuda do IFC, que inclusive já autorizou a operação. O que se aguarda é o uma janela na turbulência do mercado para que isso possa ser feito.

– O Vírtua será relançado no final do mês, mas não deverá ser caracterizado como um produto mais barato do que seus concorrentes em ADSL. A idéia é vender o produto como algo melhor, ainda que um pouco mais caro.

– Luiz Antônio Viana não considera que a TV por assinatura enfrente maior dificuldade no Brasil por conta da TV aberta. Mas também não acha que a distribuição de renda no Brasil permitirá à TV paga invadir os domínios da TV aberta nas classes C e D. Ou seja, não haverá nenhuma estratégia para popularizar a Net. Ao contrário, a estratégia é crescer em receita e crescer em quem é de classe A ou B e não assina. Com isso, fica forte a idéia de multiplexar a TV aberta e aproveitar material de arquivo (sobretudo aquele que está liberado para as janelas de DVD) em produtos como pay-per-view.

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