TV digital
23/09/2005, 22:26

Emissoras defendem manutenção dos 6 MHz

POR REDAÇÃO

As emissoras de TV aberta que quiserem competir com os demais serviços digitais precisarão manter, no mundo digital, uma faixa de 6 MHz como a que ocupam hoje no espectro analógico. A declaração é de Fernando Bittencourt, diretor de engenharia da Rede Globo, que falou no painel de encerramento do Congresso da SET nesta sexta, 23, em São Paulo.
Segundo ele, a TV digital terá que competir com várias mídias inexistentes há dez anos, como o cabo digital, o DTH, o celular 3G e o DVD de alta definição e, para isso, precisará ter à disposição a possibilidade de prestar diversos serviços, como trasmissão em HDTV e móvel. Ele explica que para isso, as emissoras precisam ter garantidos os 6 MHz, pois mesmo com as novas tecnologias de compressão, como o MPEG-4, não seria possível fazer tudo em uma faixa menor.
Para Bittencourt, oferecer TV aberta de alta definição é uma medida de inclusão social, pois do contrário haveria uma TV de alta qualidade para os ricos, via cabo ou satélite, e uma TV "de pobre", com qualidade (técnica) pior. A opinião é compartilhada por Roberto Franco, diretor de engenharia do SBT e presidente da SET. Para Franco, o preço do terminal (set-top) não é uma barreira se os serviços forem de alta qualidade. "Basta ver o parque de 15 milhões de parabólicas, que foram instaladas a um preço médio de R$ 1000, ou a venda de celulares pré-pagos sofisticados para a classe C", explicou.
Os radiodifusores defendem que a alta definição no Brasil seja adotada no formato 1080i (e não 720p), de maior resolução, e devem defender esta posição no encontro da ITU (União Internacional de Telecomunicações) que acontece no próximo mês em Salvador.
Em relação ao padrão de trasmissão, Bittencourt diz ter preferência pessoal pelo japonês (ISDB-T), mas acredita que o Brasil não deva adotar o padrão como está. "Acho que devemos e temos a capacidade de fazer modificações. Estes padrões tem mais de dez anos, temos condição de implantar algo melhor que o que existe nos outros países", concluiu.

Democratização

Já o presidente da ABTU (associação dos canais universitários), Gabriel Priolli, defendeu que a digitalização abra espaço para novos agentes, com a liberação do espectro de freqüências. Ainda assim, ele também defendeu a tese de que a TV digital deva possibilitar o HDTV mesmo para as TVs públicas, que do contrário não teriam como competir pela audiência.
Segundo Priolli, as TVs públicas (incluindo educativas, legislativas, universitárias e comunitárias) defendem que a tecnologia permita o máximo de opções, inclusive as mesmas pregadas pelas TVs comerciais, como alta definição, mobilidade e interatividade.

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