Produção
25/02/2014, 12:01

Em documentários de natureza, o que mais vale ainda é a história, diz diretora da BBC

POR REDAÇÃO

A tecnologia vem revolucionando a produção de documentários de natureza, com microcâmeras, super slow motions, visão noturna, sensores de movimentos, robôs, drones etc. Mas o que faz um bom filme ainda é a história que se conta, diz a bióloga marinha e geóloga Wendy Darke, diretora geral da divisão de história natural da BBC, que conversou com TELA VIVA nesta terça, 25, durante o BBC Showcase, em Liverpool. Este é o "segredo", diz ela, para que se criem ainda hoje novos programas sobre temas às vezes repetidos. "Já vimos mil vezes cenas dos animais na savana, por exemplo, mas podemos sempre contar de outro ponto de vista", diz.

Ela conta que uma série grande leva pelo menos quatro anos para ser realizada, dos quais os primeiros 18 meses são apenas de pesquisa. É a ciência, diz, que vai dar toda a base para o roteiro e as filmagens. Depois são planejadas em geral duas temporadas de filmagens no local, porque "animais não lêem roteiro", brinca. Ou seja, em uma única expedição podem não acontecer alguns comportamentos esperados dos bichos. No momento ela prepara, entre outras coisas, a série "Oceans", prevista para 2017.

Sua unidade tem atualmente 200 horas de conteúdo em produção, e deve entregar este ano 150 horas. As produções são planejadas para atingir diferentes audiências, em um espectro que vai de séries altamente didáticas e científicas até aquelas que mostram os animais de forma quase humanizada, explorando o lado emocional do espectador. "Somos criticados às vezes por algumas séries que têm um caráter de entretenimento, mas elas também são importantes para criar uma consciência nas pessoas sobre a natureza", explica.

As séries também são programadas para diferentes faixas etárias e mesmo para exibições em diferentes dias da semana. "Num domingo à tarde por exemplo uma mãe pode assistir 'Wild Brazil', que tem cenas bonitas, e assim ela se distrai sem achar que está perdendo tempo, ou seja, se entretem e ainda aprende alguma coisa", diz. Na busca pela audiência, a BBC também tem investido em apresentadores, que se identificam com o público, em músicas mais sofisticadas e até mesmo em técnicas tiradas do cinema comercial. "Para a série `Hidden Kingdoms` nós consultamos a Pixar sobre as paletas de cores mais usadas hoje em produções de grande audiência", revela. Algumas destas produções acabam ficando tão atraentes que podem entrar em slots de aventura ou mesmo de drama, e não necessariamente no de documentários, completa.

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