Mídia
25/09/2002, 20:23

Solução da Globo passaria pela venda de ativos, dizem analistas

POR SAMUEL POSSEBON

Enquanto a Globo S.A. estiver suspensa, o caminho para a reestruturação financeira do grupo Globo poderá passar pela venda de ativos individuais, a exemplo do que já acontece com as emissoras pertencentes à família Marinho, ou aconteceu com a Sky, onde a Globo se desfez do controle. O problema é que até agora estes ativos negociados apenas refrescaram a situação, mas não resolveram. O caminho seria uma negociação maior, ou seja, um pedaço da Net Serviços ou a totalidade da Sky, ou ainda a editora, um jornal ou a gráfica. É o que começam a especular analistas do mercado financeiro que acompanham a deterioração da situação financeira do grupo em função do crescimento da dívida decorrente da alta do dólar.

Capital estrangeiro

Uma questão, contudo, começa a ser levantada e deverá ser importante daqui para a frente: como vai ficar a regulamentação para a entrada de investidores nas empresas subordinadas ao artigo 222 da Constituição (emissoras de TV e rádios, jornais ou revistas). O problema está na questão dos investidores financeiros e institucionais, como fundos, bancos, o próprio BNDES etc. Da forma como a regulamentação veio para consulta, esse item ficaria para ser regulamentado depois. Numa segunda versão, segundo apurou este boletim, a questão não era sequer tratada. Dependendo da solução dada, pode-se até acabar passando por cima do decreto 236/67, que estabelece os limites à propriedade das outorgas de radiodifusão.
O problema é que flexibilizar essas restrições à propriedade, ainda mais com a moeda brasileira desvalorizada como está, pode fazer com que o capital estrangeiro ou investidores financeiros nacionais venham com muita força para a radiodifusão ameaçando inclusive as salvaguardas para o conteúdo nacional. A vinda em massa de investidores seria boa financeiramente para os grupos de mídia, mas ruim para o espírito da alteração Constitucional, que foi negociada inclusive com a oposição (especialmente PT) e que previa uma abertura controlada. Em um eventual governo Lula, apontam analistas, os grupos de mídia poderiam ter problemas se, de alguma maneira, tivessem descumprido o acordo feito quando o artigo 222 foi negociado no Congresso.

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