TV digital
26/09/2002, 18:47

Debate no CCS conclui que não há tempo para Brasil ter padrão próprio

POR RAQUEL RAMOS

O Conselho de Comunicação Social reuniu-se nesta quinta, dia 26, para realizar uma audiência pública e discutir as políticas para TV digital propostas pelo governo. Participaram do debate: Marcelo Zuffo, professor de engenharia de sistemas eletrônicos da USP; Max Henrique Costa, professor de engenharia elétrica e computação da Unicamp; Hélio Graciosa, presidente do CPqD e; Guido Lemos Filho, coordenador da Comissão Especial de Sistemas Multimídia e Hipermídia da Sociedade Brasileira de Computação.
De uma maneira geral, todos os convidados da audiência consideraram satisfatórios os pontos colocados na política expedida recentemente pelo governo. O maior problema foi apontado por Guido Lemos Filho, que criticou a falta de menção à indústria do software no documento com as diretrizes. "Principalmente nas aplicações de interatividade e nos set-top boxes o software será uma peça fundamental. E acredito que o governo deveria ter dado mais atenção a este ponto na elaboração da política", argumentou Lemos Filho.
Os participantes da audiência evitaram opinar sobre qual padrão deveria ser escolhido para o Brasil. No entanto, Marcelo Zuffo disse que uma das vantagens do padrão japonês é a possibilidade de que o Brasil possa interferir na tecnologia. "Nenhum padrão foi pensado à luz da sociedade brasileira. Por isso teremos que escolher o 'menos pior'. Mas os brasileiros têm certa semelhança com os japoneses porque têm facilidade de consumir tecnologia. E pode ser um desafio para a engenharia brasileira ajudar a desenvolver mais esta tecnologia", defendeu Zuffo.
Por outro lado, os quatro debatedores foram unânimes em concordar que não há tempo para se pensar em desenvolver uma tecnologia brasileira. Isto poderia ter acontecido há quatro anos e em conjunto com os demais países do Mercosul. "Para desenvolver uma tecnologia nacional é preciso vontade política, o que há muito tempo o Brasil não demonstra ter. Além disso, é preciso mobilização de outros países", argumentou Hélio Graciosa, presidente do CPqD.
Por parte do CCS estiverem presentes Daniel Herz, representante da Fenaj; Fernando Bittencourt, engenheiro e diretor de engenharia da TV Globo e; Geraldo Pereira dos Santos, representando a categoria de trabalhadores em cinema e vídeo.

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