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Cisneros impõe condições para eventual fusão DirecTV/Sky
quarta-feira, 28 de janeiro de 2004 , 19h43 | POR SAMUEL POSSEBON

A DirecTV Latin America (DLA) entregou na terça, 27, à Bankruptcy Court de Delaware, uma nova suplementação de seu plano de reestruturação. Trata-se, desta vez, de uma parte do acordo de acionistas entre a empresa Darlene Investments e a Hughes Electronics, sócias na DLA. A Darlene é uma subsidiária do grupo Cisneros, e tem 18% da DirecTV Latin America, contra 82% da Hughes Electronics. O interessante dos termos do documento (chamado Second Amended and Restated Limited Liability Company Agreement) é que eles mostram que uma eventual fusão entre DirecTV e Sky na América Latina enfrentará, na negociação com o grupo Cisneros, um obstáculo considerável.
Está acordado entre a Hughes e a Darlene Investments, por exemplo, que nenhuma operação de fusão, consolidação ou venda entre DirecTV e Sky na América Latina pode acontecer sem que seja garantido ao grupo Cisneros uma participação mínima de 7% na empresa resultante, caso a operação envolva a NetSat (Sky no Brasil) e a Innova (Sky no México). Caso uma eventual fusão entre DirecTV e Sky não envolva as subsidiárias da Sky no Brasil e no México, o grupo Cisneros deve ter direito, a princípio, a 10% da empresa resultante, conforme o acerto com a Hughes.
O grupo Cisneros também tem garantias de que a Hughes comprará sua participação caso, em decorrência de uma consolidação ou fusão com a Sky, a sua participação seja desvalorizada por ações ou inações da empresa.
Além da possibilidade de uma operação envolvendo a Sky, o acordo entre Darlene Investments e Hughes prevê ainda a possibilidade de uma oferta pública de ações ou de uma venda integral da DirecTV Latin America nos próximos seis anos. Para esse período, estão estabelecidos valores mínimos pelos quais as participações de Hughes e Cisneros estão avaliadas e condições para que cada uma das operações possíveis aconteça.

Disputa regional

Outro aspecto interessante do acordo de acionistas entre Darlene e Hughes diz respeito à contratação de programação da Globo ou do grupo Televisa, do México, pela DirecTV Latin America. A DLA não deve contratar programação significativa destas empresas (e por significativo entende-se contratos com mais de três anos e acima de US$ 4 milhões) se estiver em processo de oferta pública de ações ou em processo de venda. Não sem o sinal verde do Comitê Executivo, uma espécie de conselho do qual o grupo Cisneros, como acionista da DLA, participa.
Note-se a quantidade de cláusulas do acordo entre a Hughes e o grupo Cisneros que fazem referência aos principais concorrentes na América Latina, Globo e Televisa, e também à Sky. É um indício que a eventual negociação para a fusão entre DirecTV e Sky será, mais do que uma operação comercial, uma complexa manobra de posicionamento dos grupos de mídia regionais (Cisneros, Televisa e Globo) frente à News Corp. A News, de Rupert Murdoch, é controladora da Sky e dá também as cartas, desde janeiro, na gestão da Hughes.
O acordo entre Hughes e Darlene Investments mostra, portanto, os passos que os venezuelanos do Cisneros estão dando para se proteger.

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