Produção audiovisual
29/05/2015, 19:49

Filmado na fronteira, "Guerra do Paraguai" reproduz conflitos da maior guerra sul-americana

POR LEANDRO SANFELICE

Entre os anos de 1865 e 1870 a América do Sul foi palco da maior guerra já travada dentro de suas fronteiras. No confronto, cerca de 75 mil brasileiros, 18 mil argentinos, 3 mil uruguaios e nada menos que 300 mil paraguaios – quase 70% da população do país na época – morreram em decorrência de combates, epidemias que se alastraram e fome. Cento e cinquenta anos após o início do confronto, o History se prepara para lançar o especial "Guerra do Paraguai", no dia 11 de julho.

Produção original desenvolvida em parceria com a Studio Fly, "Guerra do Paraguai" contará com reconstituições dos combates, interpretações de personagens marcantes e entrevistas com especialistas. O programa abordará as conquistas e os equívocos do Brasil durante a Guerra do Paraguai, além de debater as razões que motivaram o conflito.

O projeto marca a estreia do diretor e cofundador da Studio Fly Matheus Ruas em obras de entretenimento. "Sempre tive vontade de usar meu trabalho para trazer informação e estimular o debate. Nosso país passa por momentos difíceis na política e vemos os jovens saindo para as ruas e pedindo mudança. Contudo, podemos ver que muitas vezes falta bagagem de conhecimento para eles se posicionarem. Muito do que se passa hoje já aconteceu antes, e a ideia é que as pessoas façam essa relação", diz o diretor.

"Nós temos uma política de sempre tentar trabalhar com gente nova, de estimular uma diversidade maior de produtores. Isso também nos animou e decidimos investir nesse projeto", diz Krishna Mahon, diretora de conteúdo do History.

Segundo ela, o projeto começou a ser desenvolvido há cerca de um ano, quando Matheus apresentou um vídeo promocional de um especial sobre Getúlio Vargas. "Sabíamos que outras pessoas estavam trabalhando com o tema do Getúlio, então pedimos que apresentassem um projeto semelhante com um tema novo. A Guerra do Paraguai, para nós, é um tema muito bom. Além de existirem visões diferentes e polêmicas sobre o tema, tem também a parte de ação e da guerra, que é entretenimento e funciona muito bem com nosso público alvo".

A escolha pela Guerra do Paraguai, conta Ruas, levou em conta a proximidade com a marca de 150 anos do conflito e o fato de o confronto ser um tema pouco explorado e aberto a interpretações divergentes. "Esse foi o maior confronto entre o período de Napoleão e as grandes guerras, e ainda assim olhamos para isso sem muita profundidade. O brasileiro gosta de manter uma visão cordial de si mesmo, de um povo que não se envolve em guerras. Esse confronto mostra um outro lado nosso", diz.

Segundo ele, a produção optou por expor diferentes visões sobre o conflito. "No período do Regime Militar, a historia valorizava muito as conquistas militares e o Brasil aparecia como herói nessa versão. Logo depois, passou-se a adotar uma visão totalmente contrária, com o Brasil aparecendo como vilão. Hoje, mais uma vez, alguns historiadores revisam essas versões para tentar encontrar algo que para eles estaria mais próximo da realidade. Nós trazemos entrevistados com as três visões – direita, esquerda e centro", conta.

Produção

De acordo com Ruas, após um trabalho inicial de pesquisa, a Studio Fly iniciou as gravações pelas entrevistas. "Nessa primeira parte realizamos um trabalho muito jornalístico. Encontramos os especialistas e começamos pelas entrevistas. Esses depoimentos e o conhecimento deses profissionais serviriam de fio condutor para o roteiro e para as gravações das cenas de dramaturgia e reconstituições de batalhas que vieram depois", conta.

"Guerra do Paraguai" traz depoimentos de historiadores, jornalistas, diplomatas e um filósofo (o brasileiro Mario Sergio Cortela), gravados em quatro países envolvidos nos conflitos – Brasil, Paraguai, Argentina e Inglaterra. As cenas em que atores interpretam alguns dos principais nomes envolvidos no conflito como D. Pedro II (Jairo Mattos), Solano López (Fábio Nassar) e Elisa Lynch (Valentina Sallezzi) foram gravadas em São Paulo.

Já as partes do documentário com reconstituições dos combates foram rodadas ao longo de dez dias no Uruguai, em uma região próxima à fronteira com o Brasil. Contando com os figurantes, o trabalho mobilizou cerca de 200 pessoas. "Tentamos reproduzir os combates da forma mais fiel possível. A vegetação, os acampamentos e até a raça dos cavalos – levamos tudo isso em conta. Nesse contexto, estar gravando no lugar onde aconteceu o conflito facilita muito o trabalho", diz Ruas.

O figurino dos atores, conta, foram todos produzidos a pedido da produtora. As armas utilizadas pelos combatentes vieram de museus. Para reproduzir explosões, tiros e até mesmo ferimentos, a Studio Fly optou por utilizar computação gráfica 3D e 2D. "Eu tenho uma formação que vem de 3D e, além disso, não teríamos orçamento para utilizar efeitos reais. Quase todas as imagens do filme têm computação gráfica, quase não há cenas virgens", revela Ruas.

Comentários

1 Comentário

  1. Alan disse:

    A guerra do Paraguai foi a maior conflito já travado na América do Sul, porém, diferente do que afirmou o diretor da série, não foi a maior guerra entre o período napoleônico e as guerras mundiais. A Guerra Civil Americana, por exemplo, teve cerca de 600 mil mortos e também ocorreu a Guerra da Criméia no referido período.

Deixe o seu comentário!

© 0-2017 Save Produções Editoriais. Todos os direitos reservados.
Top