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30/06/2003, 20:45

Teles voltam a ser alvo de preocupação da Globo

POR REDAÇÃO

Na semana passada, em reunião aos principais diretores da TV Globo, a ex-diretora geral do grupo, Marluce Dias da Silva, afirmou que, daqui em diante, estará dedicada sobretudo à causa da preservação do conteúdo nacional e defesa dos interesses do grupo frente às possíveis investidas das empresas de telecomunicações.
Pode ser apenas uma coincidência de datas, mas depois destas manifestações, alguns movimentos puderam a ser sentidos.
Nesta segunda, dia 30, durante a reunião do Conselho de Comunicação Social (CCS), o diretor de engenharia da TV Globo, Fernando Bittencourt, ressaltou em diversos momentos o risco de que as empresas de telecomunicações venham a ocupar espaços hoje reservados aos radiodifusores e operadores de TV paga no negócio de distribuição de conteúdo.
Bittencourt também ressaltou a importância de se acelerar o processo de definição da TV digital no Brasil, lembrando que a radiodifusão é a única tecnologia de distribuição de conteúdo ainda analógica e que por isso corre o risco de se tornar obsoleta. Com a tecnologia digital, diz o engenheiro, a TV terá condições de oferecer seu conteúdo nas mesmas condições das empresas de telecomunicações.
Bittencourt, que também é conselheiro do CCS, disse ainda que o que dá à TV brasileira a qualidade é o fato de ela controlar a sua própria produção de conteúdo.
O conselheiro Roberto Wagner, representante da Abratel , também ressaltou o risco de que se permita que empresas de telecomunicações transmitam conteúdo de TV sem que haja regras claras, especialmente para que se observem os artigos 221 e 222 da Constituição.

Argumento conhecido

Os argumentos de defesa e proteção do conteúdo brasileiros são usados pelo grupo Globo há vários anos, e em vários momentos. Não são, portanto, nenhuma "nova bandeira", como alguns interpretam o posicionamento manifestado por Marluce Dias da Silva.
Foi, por exemplo, o argumento central usado para que se chegasse à redação final do artigo 222 da Constituição (assegurando que os meios eletrônicos de comunicação social tivessem a responsabilidade editorial atribuída a brasileiros). Também foi este o argumento usado pelo grupo para não ceder o sinal da TV Globo à DirecTV, e também é o argumento dos radiodifusores de um modo geral contra o serviço de comunicação multimídia (SCM) criado pela Anatel.
Marluce será, daqui em diante, assessora de Roberto Irineu Marinho para questões estratégicas. Ela não tem mais responsabilidades operacionais sobre o grupo.

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