Comunicação
30/09/2003, 12:14

Empresas de mídia recorrerão ao BNDES

POR REDAÇÃO

A Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), a Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas) e a ANJ (Associação Nacional de Jornais) estão elaborando, conjuntamente, uma proposta a ser apresentada e discutida com o BNDES e que busca a definição de uma política de financiamento para as empresas de comunicação social. Recentemente, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu reconheceu que a situação dos grupos de comunicação no país é preocupante e que o assunto deve receber atenção do Estado por se tratar de um setor estratégico. Durante a fase de transição, no final de 2002, já com o governo Lula eleito, José Dirceu disse que a questão da mídia era "assunto de Estado". Na revista Carta Capital desta semana o ministro das Comunicações Miro Teixeira, que já havia dito não perceber nos dias atuais concentração na mídia brasileira, declarou que prefere um programa de socorro estatal às empresas de comunicação do que a entrada de capital estrangeiro no setor. Sabe-se que uma grande preocupação do governo também é a situação específica dos pequenos grupos regionais de comunicação.
Segundo as entidades, em sua nota conjunta, o objetivo é a "criação de um programa de apoio às atividades das empresas do setor, a exemplo dos que já existem para os demais setores da economia, que contam com recursos do BNDES para suas operações". Atualmente, o BNDES não financia com linhas especiais a atividade de comunicação. Sua atuação está restrita a empresas de infra-estrutura (como as operadoras de cabo Net Serviços, Horizon, TV Cidade e Acom, por exemplo) que distribuem conteúdo de comunicação social. Abert, Aner e ANJ contrataram a empresa MS&CR2 – Finanças Corporativas Ltda, da ex-presidente da CSN Maria Silvia Bastos e de Cláudio Coutinho e Carlos Guedes (sócios no banco CR2), para dar assessoramento na elaboração da proposta e negociação com o banco estatal.
Segundo o comunicado, as associações representam "mais de duas mil empresas de mídia nacionais". Elas afirmam ainda, ao final do comunicado, que mantêm "princípios de total independência em relação a governos e partidos políticos".

Preocupações

Segundo Paulo Machado de Carvalho Neto, presidente da Abert, a idéia de um estudo conjunto entre as três associações setoriais é justamente dar transparência ao processo e evitar suspeitas de favorecimento específico. "Há vários setores que dispõem de linhas de crédito especiais no BNDES. O setor de Comunicação Social não tem esse tipo de benefício, mas queremos mostrar alternativas ao banco", diz. O presidente da Abert destaca que a grande dificuldade que o setor de comunicação encontra é para que pequenos grupos regionais e locais se enquadrem nas exigências atuais do BNDES. "Desenharemos uma proposta de linha de crédito para o setor, que em determinado momento será negociada com o próprio BNDES, para se adaptar às condições do banco. Depois disso, cada grupo terá que, individualmente, se preparar e apresentar um pedido de financiamento ao banco". Paulo Machado lembra que cada empresa de comunicação tem suas dificuldades e necessidades específicas. "O governo está sensível aos problemas que essa indústria enfrenta, mas teremos que nos adaptar às condições do BNDES".

Comentários

Nenhum comentário para esta notícia.

Deixe o seu comentário!

© 0-2017 Save Produções Editoriais. Todos os direitos reservados.
Top