TV digital
31/05/2012, 17:35

Para Oracle, NCL-Lua e Java são complementares

POR FERNANDO LAUTERJUNG

Longe de haver consenso, as diferenças entre os setores da indústria de televisão em relação à adoção do Ginga-J (a versão do middleware formada pelas linguagens NCL-Lua e Java) foram diminuídas. Este noticiário apurou que, dentro do Fórum do Sistema Brasileiro de TV digital (SBTVD), o acordo firmado com a Oracle, detentora da linguagem Java, acalmou alguns ânimos. Alguns desenvolvedores de implementações do middleware vinham reclamando da dificuldade em conseguir respostas em relação à política de preços de royalties. Agora a Oracle teria assumido o compromisso de responder aos questionamentos em um prazo de até trinta dias.

Mesmo assim, parte da academia reclama do poder que a Oracle mantém sobre o Ginga-J, ganhando a prerrogativa de definir o timing das implementações. Entre os fabricantes de televisores, aqueles que já investiram em suas implementações do middleware com Java apoiam totalmente a versão, protegendo assim o investimento já realizado. Outros, no entanto, ainda apontam que gostariam de usar uma implementação NCL-Lua.

Em entrevista a este noticiário, Dimas Oliveira, consultor da Oracle, afirmou que existem agendas distintas na indústria, mas que acredita que as arestas foram aparadas. Segundo ele, NCL-Lua e Java são complementares. "Acredito que cada tecnologia tem a sua força. Tecnicamente, ambas são muito boas, mas não existe uma linguagem absoluta", diz. Em sua visão, uma futura versão Ginga 2.0 deve agregar ainda mais tecnologias, e não abrir mão do que já existe. Parte da força da linguagem Java, explica Oliveira, está na base de desenvolvedores estabelecida, bem como na ampla adoção da linguagem nas grandes instituições. "Há mão de obra qualificada há sete ou oito anos no Brasil", explica. Mesmo assim, é necessário levar a esta base as especificidades da televisão, os jargões.

Em função de uma parceria com a TQTVD, os desenvolvedores já contam com ferramenta de desenvolvimento o AstroBox, baseada no padrão de TV digital brasileiro. Essa ferramenta é oferecida associada à máquina virtual Oracle – Oracle JVM.

Novo elo

Para ele, as empresas desenvolvedoras passarão a fazer parte da indústria televisiva, atuando junto ao mercado publicitário, bem como na produção de conteúdo de TV."Podemos criar um novo nicho de mercado", diz, lembrando que isto só é possível, por enquanto, no Brasil, onde o middleware da TV digital traz esta possibilidade.

"A TV digital no Brasil terá um conteúdo realmente interativo. Isso deve ter também um impacto social", diz. Confrontado com a afirmação de que a interatividade na TV digital chegou atrasada, superada pela interatividade da Internet, já popular no Brasil, Dimas Oliveira afirma o oposto. "Acho que a interatividade chega no tempo perfeito". Para ele, a TV digital e a interatividade têm sido analisadas sob uma ótica muito elitista. "A TV é um dispositivo estável, e com efeito multiplicador. Todo mundo olha quando aparece um 'sticker' com as últimas notícias, imagina se isso for personalizável", exemplifica. "A TV continuará sendo o catalisador da família", completa. Outra funcionalidade seria na educação à distância. "Será possível transmitir um telecurso, com conteúdo adicional ao de vídeo, mesmo sem uma conexão com a Internet", diz.

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