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Estratégia
Cisco redefine canal e tenta resgatar imagem
quinta-feira, 01 de novembro de 2007 , 18h45 | POR ANA LUIZA MAHLMEISTER

Depois do episódio de acusação de fraude fiscal, e com imagem arranhada, a Cisco definiu como meta, além de reorganizar seu canal de distribuição, entrar em contato com grandes clientes para reforçar seu foco no País. O vice-presidente da Cisco norte-americana, Howard Charney, destaca que a empresa não tem ?nenhuma perspectiva de perda de market share?, mas admite que a imagem saiu prejudicada do episódio e vai levar ?tempo e trabalho para recuperá-la?. O executivo cumpriu nesta semana uma agenda apertada no Brasil entrando em contato com grandes clientes e integradores para assegurar-lhes que não haverá falta de produtos ou interrupção de projetos.
Quanto às mudanças na distribuição, a empresa afastou a Mude e está concentrando seus negócios na norte-americana Ingram Micro, já parceira de longa data, além de reforçar o relacionamento com grandes integradores como CPM, Equant, Promon e IBM. ?A perspectiva de negócios no Brasil não mudou, apenas o canal de distribuição?, reafirmou Charney.
Segundo um fabricante de equipamentos de infra-estrutura, empresas clientes chegaram a instaurar auditorias internas para analisar as compras de produtos Cisco e avaliam interrupção de contratos. Outras já teriam substituído as próximas encomendas por produtos concorrentes. ?Não é um movimento geral, mas está ocorrendo?, diz a fonte da empresa.
Charney destacou que visitou alguns clientes, incluindo grandes operadoras de telecomunicações. ?Meu papel foi assegurar-lhes que os produtos continuarão fluindo no mercado, apenas por um outro distribuidor?, afirma.
O Brasil representa apenas 1% dos negócios da Cisco mundial, que faturou no ano passado US$ 34,9 bilhões. A notícia de fraude não teve impacto nos Estados Unidos. ?Wall Street não percebeu qualquer perspectiva de queda de mercado. Prova disso é que nossas ações continuaram em alta?, afirmou Charney. Para o executivo, o problema foi geograficamente limitado ao Brasil e, mais especificamente, a alguns funcionários da Mude.
Sobre o não controle sobre a lisura de seu canal de distribuição, Charney disse que a Mude sempre foi um bom parceiro e que a Cisco não tem acesso a documentos contábeis internos. ?Estamos fazendo uma auditoria interna e esse procedimento pode mudar. Em 80 países onde atuamos, nunca aconteceu algo similar?, disse. Ele reforçou que o problema diz respeito à desonestidade de ?10 a 15 pessoas ligadas ao distribuidor?. ?Os bancos e até pequenos usuários não têm contato com esse canal importador, mas com os integradores. Para eles, o fluxo de produtos continua o mesmo?, completa.
Sobre o destino de seus três funcionários detidos e depois liberados, incluindo o presidente da Cisco no Brasil, Pedro Ripper, Charney disse que eles voltaram normalmente às suas atividades na empresa e devem seguir na Cisco. Quanto ao presidente do conselho da América Latina, Carlos Carnevale, que continua preso, está licenciado da companhia e seu destino ainda é incerto, segundo Charney.

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