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Caso Kroll
Adiado depoimento de Dantas e Carla Cico
terça-feira, 02 de maio de 2006 , 19h42 | POR LETÍCIA CORDEIRO

Um habeas corpus (HC) enviado por fax à 5ª Vara Criminal da Justiça Federal de São Paulo cancelou a sessão interrogatória do banqueiro Daniel Dantas, poucos minutos antes das 13h30, hora marcada pelo juiz Silvio Luís Ferreira da Rocha para ouvir o depoimento do dono do Opportunity sobre o ?Caso Kroll?, em que é acusado, com mais 26 pessoas, de espionagem, formação de quadrilha e grampo ilegal. A defesa de Dantas e da da ex-presidente da Brasil Telecom, Carla Cico, entrou com o recurso no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) na noite de sexta-feira e foi acatado pela desembargadora, Cecília Melo. Assim, o HC também suspendeu o depoimento que Cico daria acerca do Caso Kroll no próximo dia 16. O depoimento de Dantas foi redesignado para o próximo dia 30 de maio e o de Carla Cico ainda não foi reagendado.
A defesa de Dantas e Cico alegou que não fora intimada, nem tivera acesso aos vinte volumes que totalizam mais de 4 mil páginas contendo o inquérito e as diligências realizadas pela autoridade policial do processo porque não teria sido publicado no Diário Oficial da União. Essa argumentação já tinha sido objeto do recurso negado pelo próprio juiz da 5ª Vara, Silvio Luís Ferreira da Rocha, na quarta-feira, 26 de abril. Ferreira da Rocha entendeu que houve prazo suficiente para que as partes tomassem ciência dos autos porque há registro de carga dos volumes pelos advogados de Dantas e Cico. Em nota oficial divulgada pela Justiça Federal de São Paulo, o juiz Silvio da Rocha esclarece que ?a advogada dos réus, em 14/2/2006, esteve em secretaria e retirou os volumes do processo que lhe interessavam (volumes 10 e 11), nos quais estão contidas as informações que a defesa ora alega não ter conhecimento?. Ele argumenta ainda que ?os relatórios questionados ficaram à disposição dos interessados bem antes da redesignação dos interrogatórios, tanto que foram objeto de consulta e retirada por parte dos outros defensores dos demais envolvidos nos fatos?.
A advogada Maria Elisabeth Queijo, assistente da acusação que representa o empresário Luiz Roberto Demarco e o jornalista Paulo Henrique Amorim, alvos da espionagem da Kroll, acredita que a desembargadora que deferiu o HC não deve ter tido acesso à decisão do juiz de primeira instância que negou o adiamento na semana passada. ?Os advogados de Dantas e Carla Cico fizeram cargas nesse processo desde fevereiro deste ano, está registrado na Secretaria (da 5ª Vara), e o argumento de não ter ciência é insubsistente?, avalia Maria Elisabeth.

Recurso

Até o início da noite desta terça, 2, o Ministério Público Federal (MPF) ainda trabalhava na coleta de dados e elementos para fundamentar um possível Agravo Regimental junto ao TRF3 contra a decisão da desembargadora Cecília Melo, que concedeu o HC ao dono do Opportunity e Carla Cico. Este recurso do MPF poderia fazer com que o depoimento da ex-presidente da BrT aconteça no próximo dia 16, como agendado inicialmente, e poderia ainda antecipar o interrogatório de Dantas, que foi remarcado para o dia 30 de maio.

Retrospectiva

A Polícia Federal descobriu um esquema de espionagem montado pela Kroll contra desafetos e concorrentes de Daniel Dantas, que chegou a atingir integrantes do governo Lula, e concluiu que Dantas e a ex-presidente da Brasil Telecom, Carla Cico, comandaram uma ?quadrilha de espionagem internacional? constituída por servidores públicos e funcionários da Kroll no Brasil e no exterior.
O Ministério Público dividiu as denúncias, acolhidas pela Justiça, em três partes e as encaminhou à Justiça Federal citando 27 pessoas em vários artigos do Código Penal. A primeira denúncia mostra o relacionamento da Kroll com espionagem e envolve servidores da Caixa Econômica Federal, da Receita Federal e da Polícia Civil de São Paulo, e mais 16 funcionários e colaboradores da empresa. Na segunda, Daniel Dantas e Carla Cico e mais 16 pessoas são acusados do mesmo crime. Na terceira, Dantas, o ex-cunhado Carlos Rodenburg, e o ex-militar do Exército israelense e contratado da Kroll no Brasil, Avner Shemesh, são acusados de crimes de formação de quadrilha e grampo ilegal.

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